Um dos sintomas mais característicos de gravidez em mim, são as crises de choro. Eu choro com chamadas comerciais, com reportagens daqueles jornais sensacionalistas (em que sempre tem uma mãe chorando também), com cenas de desenhos infantis, e outras coisas insuspeitas.
O bom é que agora já tenho um companheirinho pra me apoiar. Alguém que eu me acostumei tanto a botar no colo incondicionalmente que nem lembrei que um dia ele iria me dar colo também.
Outro dia eu chorava a cântaros porque fazia dois dias que estava com dor de cabeça. Forte, não conseguia fazer nada, nem cozinhar pra nós dois. Daí liguei pra marido, que veio do trabalho com comida pra gente (meu grande companheiro e mestre do filhote), e enquanto ele colocava a mesa, Vinícius se abraçava comigo, enxugava minhas lágrimas e dizia: "chora não, mamãe, chora não, por favor..." Dava uma pausa, me beijava, fazia carinho no meu rosto e pedia de novo: "chora não, mamãe, passou, passou..."
Ó, família dá um trabalhão. Mas é a melhor de todas as coisas que se pode ter aqui.
sábado, 26 de setembro de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
2 anos e uma barriga
Grandes bênçãos pra contar: Vinícius fez dois anos, e ganhou um(a) irmaozinho (a) de presente. Descobri que estou grávida pouco antes do seu aniversário. Estamos felizes e preocupados, mas muito mais felizes... Vinícius já sabe, e quando pergunto "O que tem na barriga da mamãe?", ele responde: "Um bebê bem pequenininho".
Mais aventuras do meu Sr. Falante
Às vezes Vinícius enjoa de seus DVDs preferidos, então resolvi dar uma variada e comprar alguns novos. Acontece que nã há tantas opções em DVDs educativos, e acho que ele já tem uns 80% do que está no mercado, hehehehe. Outro dia resolvi radicalizar e comprar uns que eu não ía muito com a cara: Telletubies (por causa da tosquice, o princípio por trás é legal, mas a produção é tosquinha), e Xuxa Só Para Baixinhos (por causa da voz tenebrosa da mulé, que deseduca mais do que as canções conseguem educar). Engraçado foi ver a reação de Vin´cius aos DVDs.
- Xuxa - assistiu e acho que gostou. Todo aquele colorido, aqueles pulos e berros são bem o tipo dele. Aí foi explicar: "Essa é a Xuxa". E ele: "Suja!". "Não, amor, é Xu-xa." "Su-ja", repetiu. Então tá, né?
- Telletubies - Ele não gostou muito. Olhou a apresentação dos bonecos, franziu a testa e disse: "Esse é doido!".
Engraçado é que agora que ele já tem um vocabulário significativo, procura associar as palavra novas às antigas. E com isso saem pérolas incríveis. Por exemplo:
- "Fala Hi-po-pó-ta-mo". E ele: "Hi-po-po-tamamãe". Repti várias vezes, e ele só disse "Hipopotamamãe". Nossa será que ele reparou como estou gorda?
- Explicando que aquele na estampa da camisa era o Batman, ele não vacilou: "Bate-mamãe!"
- Coisa mais linda são suas primeiras palavras de menino educadinho: Obrigada
e Saúde, quando alguém espirra (ou ele mesmo).
- Mas lindo mesmo, lindo de viver, foi na noite em que ele fez dois anos. Estávamos eu, ele e o pai deitados na rede assistindo alguma coisa. Então, do nada, ele vira pra o pai, dá um abração e diz "Te amo, papai!". Depois, antes que eu manifestasse minha inveja, vira pra mim e diz: "Te amo mamãe", e dá outro abração. Então se aninhou no colo do pai, fechou os olhos e dormiu. Ele já tinha dito "te amo, antes", mas nunca de uma forma tão espontânea e direcionada (sem a gente ter que pedir). Nós também te amamos, filho.
Mais aventuras do meu Sr. Falante
Às vezes Vinícius enjoa de seus DVDs preferidos, então resolvi dar uma variada e comprar alguns novos. Acontece que nã há tantas opções em DVDs educativos, e acho que ele já tem uns 80% do que está no mercado, hehehehe. Outro dia resolvi radicalizar e comprar uns que eu não ía muito com a cara: Telletubies (por causa da tosquice, o princípio por trás é legal, mas a produção é tosquinha), e Xuxa Só Para Baixinhos (por causa da voz tenebrosa da mulé, que deseduca mais do que as canções conseguem educar). Engraçado foi ver a reação de Vin´cius aos DVDs.
- Xuxa - assistiu e acho que gostou. Todo aquele colorido, aqueles pulos e berros são bem o tipo dele. Aí foi explicar: "Essa é a Xuxa". E ele: "Suja!". "Não, amor, é Xu-xa." "Su-ja", repetiu. Então tá, né?
- Telletubies - Ele não gostou muito. Olhou a apresentação dos bonecos, franziu a testa e disse: "Esse é doido!".
Engraçado é que agora que ele já tem um vocabulário significativo, procura associar as palavra novas às antigas. E com isso saem pérolas incríveis. Por exemplo:
- "Fala Hi-po-pó-ta-mo". E ele: "Hi-po-po-tamamãe". Repti várias vezes, e ele só disse "Hipopotamamãe". Nossa será que ele reparou como estou gorda?
- Explicando que aquele na estampa da camisa era o Batman, ele não vacilou: "Bate-mamãe!"
- Coisa mais linda são suas primeiras palavras de menino educadinho: Obrigada
e Saúde, quando alguém espirra (ou ele mesmo).
- Mas lindo mesmo, lindo de viver, foi na noite em que ele fez dois anos. Estávamos eu, ele e o pai deitados na rede assistindo alguma coisa. Então, do nada, ele vira pra o pai, dá um abração e diz "Te amo, papai!". Depois, antes que eu manifestasse minha inveja, vira pra mim e diz: "Te amo mamãe", e dá outro abração. Então se aninhou no colo do pai, fechou os olhos e dormiu. Ele já tinha dito "te amo, antes", mas nunca de uma forma tão espontânea e direcionada (sem a gente ter que pedir). Nós também te amamos, filho.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Senhor Falante
Não sei se essa é a fase mais bonita numa criança porque eu acho todas as fases lindas, cada uma ao seu modo. Mas semrpe fui fascinada por crianças de dois ou três anos, quando começam a adentrar o mundo da linguagem oral. E agora estou curtindo isso com Vinícius, me esbaldando nas descobertas diárias que ele faz. Tudo é muito rápido, o cérebro está à mil por hora e de uma semana para a outra percebemos um desenvolvimento incrível na manipulação das palvras, dos sons, da comunicação. Se não curtimos cada detalhe, de repente passa e pronto: perdemos a bênção de redescobrir o mundo com eles.
Abaixo algumas pérolas das muitas que ele solta todo dia... como a memória não ajuda, eis só algumas que me fizeram sorrir:
OVELHA
Outro dia passeando com ele pela rua ele começa a dizer: "Ovelha!". Achei estranho porque nossa rua não é um ambiente nada bucólico-pastoril. Só via carros e gente passando. MAs ele parou e insistiu: "Ovleha, mamãe, ovelha!", e apontou numa direção. Quando olhei para onde ele apontava, ele completou: "Au-au ovelha!". Entendi: era um poodle!
HABEMUS NOMEM
Uciana e Tibéio. Agora ele sabe que mamãe e papai têm nome também!
BEBÊ NERD?
Começou comigo querendo ensinar as formas de maneira prática a ele. Agora quando quer biscoitos ele pede: "Mamãe, quero círculo!", para a bolachinha redonha, quadrado para a de água e sal, retângulo para aquela com goiabada no meio, oval para aquele de coquinho, e assim por diante. As pessoas me olham esquiito quando, no meio do supermercado, na seção de biscoitos, vêem um menininho esperneando: "Mamãe, dá um quadradooooo! Dá um quadradoooo!". Tô procurando um em forma de hexagono, heheheh.
PLURAL
Não sei como ele aprendeu, mas ele já flexiona os substantivos. "Um palhaço, dois palhaços, três palhaços", fala meu pequeno Sr. Falante enquanto conta. E eu fico beeeeesta.
Abaixo algumas pérolas das muitas que ele solta todo dia... como a memória não ajuda, eis só algumas que me fizeram sorrir:
OVELHA
Outro dia passeando com ele pela rua ele começa a dizer: "Ovelha!". Achei estranho porque nossa rua não é um ambiente nada bucólico-pastoril. Só via carros e gente passando. MAs ele parou e insistiu: "Ovleha, mamãe, ovelha!", e apontou numa direção. Quando olhei para onde ele apontava, ele completou: "Au-au ovelha!". Entendi: era um poodle!
HABEMUS NOMEM
Uciana e Tibéio. Agora ele sabe que mamãe e papai têm nome também!
BEBÊ NERD?
Começou comigo querendo ensinar as formas de maneira prática a ele. Agora quando quer biscoitos ele pede: "Mamãe, quero círculo!", para a bolachinha redonha, quadrado para a de água e sal, retângulo para aquela com goiabada no meio, oval para aquele de coquinho, e assim por diante. As pessoas me olham esquiito quando, no meio do supermercado, na seção de biscoitos, vêem um menininho esperneando: "Mamãe, dá um quadradooooo! Dá um quadradoooo!". Tô procurando um em forma de hexagono, heheheh.
PLURAL
Não sei como ele aprendeu, mas ele já flexiona os substantivos. "Um palhaço, dois palhaços, três palhaços", fala meu pequeno Sr. Falante enquanto conta. E eu fico beeeeesta.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Coisinhas
Quando nosso filho tem dois anos, todos os dias acontecem tantas coisinhas engraçadas e/ou significativas que deveríamos registrar!
A gente acaba não registrando e esquecendo, mas quando reencontra uma dessas cenas na memória ou num diário, dá-se conta de como viveu um período feliz. Eu até tento me policiar para registrar, mas deixo voar muita coisa, minha memória não é nada confiável... vou tentar ficar mais ligada.
A de hoje foi essa:
Eu estava na cozinha temperando uma carne. Quando me viu com o tablete de caldo de carne na mão, o papelzinho dourado reluzindo, Vinícius endoidou. Queria porque queria comer, e o motivo era simples, ele berrava a plenos pulmões: "CHOCOLATEEEE!!!"
E mesmo colocando na boca pra ele provar ele não se convenceu. Tive que achar um chocolate e dar pra ele se não ele comeria o tablete de caldo de carne bem satisfeito, hehehehe, tão pequeno e já sugestionado pela propaganda!
A gente acaba não registrando e esquecendo, mas quando reencontra uma dessas cenas na memória ou num diário, dá-se conta de como viveu um período feliz. Eu até tento me policiar para registrar, mas deixo voar muita coisa, minha memória não é nada confiável... vou tentar ficar mais ligada.
A de hoje foi essa:
Eu estava na cozinha temperando uma carne. Quando me viu com o tablete de caldo de carne na mão, o papelzinho dourado reluzindo, Vinícius endoidou. Queria porque queria comer, e o motivo era simples, ele berrava a plenos pulmões: "CHOCOLATEEEE!!!"
E mesmo colocando na boca pra ele provar ele não se convenceu. Tive que achar um chocolate e dar pra ele se não ele comeria o tablete de caldo de carne bem satisfeito, hehehehe, tão pequeno e já sugestionado pela propaganda!
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Negativismo
Ah, as fases dos filhos...
Como aprendemos com isso, não?
Agora Vinícius está entrando na fase de dizer não pra tudo. Ele me chama para pedir um brinquedo, mas todo brinquedo que pergunto: "É esse?", ele responde: "não!", e quando esgotam todos os brinquedos ele continua angustiado. Faz os mesmo com seus livros, com os DVDs, com comida... faz que vai pedir mas quer apenas dizer não para todas as alternativas possíveis e imagináveis.
Às vezes me desobedece e desafia com olhar, como se dissesse: "Estou fazendo sim, e daí?". Às vezes se joga no chão porque não quer ir tomar banho ou porque não quer sair do banho. Muitas vezes se joga também no chão quando saímos, no meio do shopping ou na calçada, só ra fazer birra, e só se levanta quando vê que eu dei as costas e fui embora (e e eu vou mesmo, deixo ele lá e depois me escondo e fico esperando ele se levantar e vir atrás de mim, e ele sempre vem). Muitas vezes se nega a dar beijo ou abraço na gente. Na hora de dormir, por mais que esteja com sono, fica sentado no berço falando ou brincando com o travesseiro só pra se negar a dormir.
Tem dias que penso: "Mas meu Deus do céu, como foi que meu bebezinho se transformou nesse moleque chato, hein?"
Aí tem a explicação científica.
Perto dos dois anos a criança está no estágio de desenvolvimento que Jean Piaget chamou de pré-operatório. Nesse estágio ela é egocêntrica por natureza, para ela o universo inteiro gira em torno de seu umbigo e ela simplesmente não entende pontos-de-vista diferentes do seu, no máximo os respeita (respeito unilateral). Já consegue agir por simulação, já dramatiza algo que sabe não ser real (sabe aquele choro falso? Pois é). Segundo Wallon, "Na construção do eu, há grande dependência do outro, tanto para ser referência quanto para ser negado. Nessa fase a criança faz manha, se joga no chão para conseguir algo, imita o outro. Todo e qualquer tipo de sentimento, a crise de oposição ao outro que se torna estimulante para a criança se descobrir, faz parte da construção do eu. A negação do outro funciona como uma espécie de isntrumento de descoberta de si própria. Sedução e imitação do outro são características dessa fase. "
Isso dura até os 3 anos, mais ou menos. É daí que vem a expressão "Os terríveis dois anos". Achei UM ARTIGO NA NET muito esclarecedor sobre o assunto também, aliás, sobre várias fases da criança, vale a pena ler!
Não tem jeito, gente. É esperar passar e ter paciência. Afinal, faz parte do crescimento dessa obra prima que eu botei no mundo. O parto é apenas a primeira separação dolorosa entre mãe e filho... a sepração física. Depois, vem a separação psicológica, que dura um bocado (e o que dizer da adolescência?), mas que é necessária para que nasça, de fato, um novo ser.
E pensar que anos atrás eu nem imaginava que seria a mãe do Baby, huahuahuahuah Lembram daquele episódio da Família Dinossauro, "Os terríveis dois anos", que o Baby fica um capetinha? Achei pra baixar AQUI. No Youtube achei o vídeo abaixo com o qual também me identifiquei muito, hehehehe
Como aprendemos com isso, não?
Agora Vinícius está entrando na fase de dizer não pra tudo. Ele me chama para pedir um brinquedo, mas todo brinquedo que pergunto: "É esse?", ele responde: "não!", e quando esgotam todos os brinquedos ele continua angustiado. Faz os mesmo com seus livros, com os DVDs, com comida... faz que vai pedir mas quer apenas dizer não para todas as alternativas possíveis e imagináveis.
Às vezes me desobedece e desafia com olhar, como se dissesse: "Estou fazendo sim, e daí?". Às vezes se joga no chão porque não quer ir tomar banho ou porque não quer sair do banho. Muitas vezes se joga também no chão quando saímos, no meio do shopping ou na calçada, só ra fazer birra, e só se levanta quando vê que eu dei as costas e fui embora (e e eu vou mesmo, deixo ele lá e depois me escondo e fico esperando ele se levantar e vir atrás de mim, e ele sempre vem). Muitas vezes se nega a dar beijo ou abraço na gente. Na hora de dormir, por mais que esteja com sono, fica sentado no berço falando ou brincando com o travesseiro só pra se negar a dormir.
Tem dias que penso: "Mas meu Deus do céu, como foi que meu bebezinho se transformou nesse moleque chato, hein?"
Aí tem a explicação científica.
Perto dos dois anos a criança está no estágio de desenvolvimento que Jean Piaget chamou de pré-operatório. Nesse estágio ela é egocêntrica por natureza, para ela o universo inteiro gira em torno de seu umbigo e ela simplesmente não entende pontos-de-vista diferentes do seu, no máximo os respeita (respeito unilateral). Já consegue agir por simulação, já dramatiza algo que sabe não ser real (sabe aquele choro falso? Pois é). Segundo Wallon, "Na construção do eu, há grande dependência do outro, tanto para ser referência quanto para ser negado. Nessa fase a criança faz manha, se joga no chão para conseguir algo, imita o outro. Todo e qualquer tipo de sentimento, a crise de oposição ao outro que se torna estimulante para a criança se descobrir, faz parte da construção do eu. A negação do outro funciona como uma espécie de isntrumento de descoberta de si própria. Sedução e imitação do outro são características dessa fase. "
Isso dura até os 3 anos, mais ou menos. É daí que vem a expressão "Os terríveis dois anos". Achei UM ARTIGO NA NET muito esclarecedor sobre o assunto também, aliás, sobre várias fases da criança, vale a pena ler!
Não tem jeito, gente. É esperar passar e ter paciência. Afinal, faz parte do crescimento dessa obra prima que eu botei no mundo. O parto é apenas a primeira separação dolorosa entre mãe e filho... a sepração física. Depois, vem a separação psicológica, que dura um bocado (e o que dizer da adolescência?), mas que é necessária para que nasça, de fato, um novo ser.
E pensar que anos atrás eu nem imaginava que seria a mãe do Baby, huahuahuahuah Lembram daquele episódio da Família Dinossauro, "Os terríveis dois anos", que o Baby fica um capetinha? Achei pra baixar AQUI. No Youtube achei o vídeo abaixo com o qual também me identifiquei muito, hehehehe
sexta-feira, 5 de junho de 2009
A bênção de ter filhos
Este é o nome de um livro maravilhoso escrito por Gary Thomas que recebi de presente do Marcão assim que o Vinícius nasceu. Um presente e tanto! É um dos livros que usamos para fazer nossos cultos familiares. E como usamos muitos, nem temos mesmo pressa de terminar de ler, já vai fazer dois anos que o lemos em doses homeopáticas, e ainda falta um bocadinho pra terminar. Mas não se engane, a leitura lenta é feita como quem saboreia uma deliciosa sobremesa que não se quer mesmo que acabe. Gary nos cativa com os relatos de sua experiência e as relfexões que faz a partir disso e à luz da Bíblia.
E foi assim que hoje, durante o culto de pôr-do-sol, voltamos ao livro dele. O capítulo fala sobre como os filhos imitam os pais, e hoje fui eu quem li. Seguem alguns trechos:
"Ser pai é literalmente moldar e influenciar a vida de outra pessoa. Na verdade, é algo sagrado e um chamado divino a ser considerado cuidadosamente. De fato, a realidade de influenciar fortemente a próxima geração faz-nos lembrar do tema deste livro: "amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus" (II Cor. 7:1). Por que precisamos nos purificar no processo da criação de filhos? Porque nossos filhos frequentemente seguem os rastros que deixamos."
Nesse ponto Vinícius começou a nos interromper. Viu o livro (também conhecido como "O livro do menino da cara quadrada" por causa do bebê que aparece na capa) e queria pegar. Eu o distraí e ele resolveu mexer na minha bolsa - uma de suas distrações preferidas, para meu desespero. Mas continuei lendo:
"Ser pai é deixar uma marca. Não há dúvida de que a paternidade, ao menos nos últimos estágios, passa a impressão de uma cópia. A única diferença, e grande por sinal, é que não reproduzimos o papel, reproduzimos a personalidade, o legado e o destino humano"
E lá vem Vinícius com uma caixinha de suco que pegou no armário, e que deveria ser seu lanche da escola. Custei a lhe explicar que não podia abrir a caixinha porque o suco era pra levar para seu lanche. Tentou pegar o livro novamente, eu não deixei. Ele resmungou, insistiu mas acabou se conformando e voltou a mexer na minha bolsa. E eu continuei lendo:
"O perdão recebido na cruz não significa que Deus nos isenta de crescer na retidão, mas nos exime de nosso egoísmo! Crescimento espiritual não equivale a tentar alcançar o céu, mas deixar um exemplo autêntico para os outros seguirem , a começar por nossos filhos."
E ouvi Vinícius atrapalhar mais uma vez. Ele estava falando animadamente na língua dos bebês, e quando olhei de lado ele estava com um livro meu que estava dentro da bolsa, aberto no colo, na mesma posição em que eu estava, e fingindo ler o livro como eu estava fazendo com o livro do Gary Thomas. Hehehehhe... Confesso que, depois de ler o texto e me sentir com medo diante tamanha responsabilidade que é influencia outro ser humano, a cena do Vinícius brincando de ler - outra de suas distrações preferidas - me deixou feliz. Às vezes a gente se cobra demais e esquece que tem dado nosso melhor a esses pequenos imitadores.
MOMENTO CORUJA:
Vinícius está indo bem na escola. Faz uma manhazinha na chegada e se agarra ao meu pescoço, mas é só na hora da separação. Basta dar as costas e ele va brincar alegremente (claro que já ficamos escondidos pra conferir!). Tem aprendido conceitos importantes para seu raciocínio lógico e desenvolvimento psicomotor como: Alto e baixo, grande e pequeno, dentro e fora, em cima e embaixo, etc, e tudo que vê sai classificando: "avião gandão, caminhão gande, fomiga pequena, janela em cima, girafa alto", uma graça! E eu por aqui também tenho ensinado umas coisinhas com ele, tudo através e bricnadeiras. Assim ele já sabe:
+ Reconhecer as vogais
+ Reconhcer algumas consoantes
+ Reconhecer algumas palavras inteiras (para ele são signos linguísticos tanto quanto as letras, então ele também lhes atribui disgnificado. Posteriormente ele vai entender que as letras formam essas palavras)
+ Reconhecer as cores: azul (sua preferida), verde, amarelo, preto, branco, rosa, vermelho (essa é a que ele mais tem dificuldade pra falar o nome correto, às vezes chama de verde ou verpreto, mesmo sabendo que é vermelho, não sei o porquê). O laranja ele chama de amarelo, não tem jeito. Também gosta de classificas as coisas por cores: "folha verde, céu azul, flor branca, etc"
+ Reconhece os números de 1 a 10 - só tem mais dificuldade com o 9.
+ Reconhece seu próprio nome quando o vê escrito em qualquer lugar.
E a baba escorre...
E foi assim que hoje, durante o culto de pôr-do-sol, voltamos ao livro dele. O capítulo fala sobre como os filhos imitam os pais, e hoje fui eu quem li. Seguem alguns trechos:
"Ser pai é literalmente moldar e influenciar a vida de outra pessoa. Na verdade, é algo sagrado e um chamado divino a ser considerado cuidadosamente. De fato, a realidade de influenciar fortemente a próxima geração faz-nos lembrar do tema deste livro: "amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus" (II Cor. 7:1). Por que precisamos nos purificar no processo da criação de filhos? Porque nossos filhos frequentemente seguem os rastros que deixamos."
Nesse ponto Vinícius começou a nos interromper. Viu o livro (também conhecido como "O livro do menino da cara quadrada" por causa do bebê que aparece na capa) e queria pegar. Eu o distraí e ele resolveu mexer na minha bolsa - uma de suas distrações preferidas, para meu desespero. Mas continuei lendo:
"Ser pai é deixar uma marca. Não há dúvida de que a paternidade, ao menos nos últimos estágios, passa a impressão de uma cópia. A única diferença, e grande por sinal, é que não reproduzimos o papel, reproduzimos a personalidade, o legado e o destino humano"
E lá vem Vinícius com uma caixinha de suco que pegou no armário, e que deveria ser seu lanche da escola. Custei a lhe explicar que não podia abrir a caixinha porque o suco era pra levar para seu lanche. Tentou pegar o livro novamente, eu não deixei. Ele resmungou, insistiu mas acabou se conformando e voltou a mexer na minha bolsa. E eu continuei lendo:
"O perdão recebido na cruz não significa que Deus nos isenta de crescer na retidão, mas nos exime de nosso egoísmo! Crescimento espiritual não equivale a tentar alcançar o céu, mas deixar um exemplo autêntico para os outros seguirem , a começar por nossos filhos."
E ouvi Vinícius atrapalhar mais uma vez. Ele estava falando animadamente na língua dos bebês, e quando olhei de lado ele estava com um livro meu que estava dentro da bolsa, aberto no colo, na mesma posição em que eu estava, e fingindo ler o livro como eu estava fazendo com o livro do Gary Thomas. Hehehehhe... Confesso que, depois de ler o texto e me sentir com medo diante tamanha responsabilidade que é influencia outro ser humano, a cena do Vinícius brincando de ler - outra de suas distrações preferidas - me deixou feliz. Às vezes a gente se cobra demais e esquece que tem dado nosso melhor a esses pequenos imitadores.
MOMENTO CORUJA:
Vinícius está indo bem na escola. Faz uma manhazinha na chegada e se agarra ao meu pescoço, mas é só na hora da separação. Basta dar as costas e ele va brincar alegremente (claro que já ficamos escondidos pra conferir!). Tem aprendido conceitos importantes para seu raciocínio lógico e desenvolvimento psicomotor como: Alto e baixo, grande e pequeno, dentro e fora, em cima e embaixo, etc, e tudo que vê sai classificando: "avião gandão, caminhão gande, fomiga pequena, janela em cima, girafa alto", uma graça! E eu por aqui também tenho ensinado umas coisinhas com ele, tudo através e bricnadeiras. Assim ele já sabe:
+ Reconhecer as vogais
+ Reconhcer algumas consoantes
+ Reconhecer algumas palavras inteiras (para ele são signos linguísticos tanto quanto as letras, então ele também lhes atribui disgnificado. Posteriormente ele vai entender que as letras formam essas palavras)
+ Reconhecer as cores: azul (sua preferida), verde, amarelo, preto, branco, rosa, vermelho (essa é a que ele mais tem dificuldade pra falar o nome correto, às vezes chama de verde ou verpreto, mesmo sabendo que é vermelho, não sei o porquê). O laranja ele chama de amarelo, não tem jeito. Também gosta de classificas as coisas por cores: "folha verde, céu azul, flor branca, etc"
+ Reconhece os números de 1 a 10 - só tem mais dificuldade com o 9.
+ Reconhece seu próprio nome quando o vê escrito em qualquer lugar.
E a baba escorre...
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Notícias do meu pequeno homem
A notícia boa é que esta semana ele começou a me avisar quando quer fazer cocô. Pela primeira vez se mostra incomodado e pede para eu o levar ao banheiro!
A notícia ruim é que, quando chega no banheiro ele não quer sentar em seu piniquinho. Nem quer sentar na privada. Ele quer fazer cocô na pia. Porquê? Eu não faço a mínima idéia. Mas fica lá, reclamando e se prendendo até que o coloquemos sentado na pia.
Ê, mãe sofre...
A notícia ruim é que, quando chega no banheiro ele não quer sentar em seu piniquinho. Nem quer sentar na privada. Ele quer fazer cocô na pia. Porquê? Eu não faço a mínima idéia. Mas fica lá, reclamando e se prendendo até que o coloquemos sentado na pia.
Ê, mãe sofre...
domingo, 17 de maio de 2009
Riso
O primeiro sorriso de um bebê é comovente. Os risinhos e as gargalhadas que se seguem também. Mas nenhum momento desses me foi tão comovente do que quando percebi o senso de humor do meu bebê. A capacidade dele entender situações engraçadas e até criá-las. Acho que o senso de humor é um sinal forte de inteligência e um indicativo de uma personalidade grandiosa.
Nunca abri mão desse componente em minhas relações de amizade, e foi uma característica fundamental na hora de escolher um companheiro.
Desde os 4 meses, quando começou a brincar de "Cadê? Achou!", Vinícius já fazia piadas e gracinhas. Mas essa capacidade vem se tornando mais e mais elaborada. Com 1 ano ele já conseguia entender situações engraçadas (especialmente as que siginifcam surpresa, algo diferente do comum que cause espanto). Hoje ele mesmo já faz suas próprias gracinhas.
Outro dia eu estava tão concentrada em trocar-lhe uma fralda que não me preocupei enquanto ele passava o dedinho nomeu rosto, pra lá e pra cá. Só quando ele caiu na gargalhada reparei que ele tinha acabado de pintar minha cara inteira com pomada contra assaduras.
Rir com o filho - seja das piadas dele ou das que você contou - é uma das coisas mais deliciosas da vida.
Nunca abri mão desse componente em minhas relações de amizade, e foi uma característica fundamental na hora de escolher um companheiro.
Desde os 4 meses, quando começou a brincar de "Cadê? Achou!", Vinícius já fazia piadas e gracinhas. Mas essa capacidade vem se tornando mais e mais elaborada. Com 1 ano ele já conseguia entender situações engraçadas (especialmente as que siginifcam surpresa, algo diferente do comum que cause espanto). Hoje ele mesmo já faz suas próprias gracinhas.
Outro dia eu estava tão concentrada em trocar-lhe uma fralda que não me preocupei enquanto ele passava o dedinho nomeu rosto, pra lá e pra cá. Só quando ele caiu na gargalhada reparei que ele tinha acabado de pintar minha cara inteira com pomada contra assaduras.
Rir com o filho - seja das piadas dele ou das que você contou - é uma das coisas mais deliciosas da vida.
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Ele entrou definitivamente na fase do "falar". E isso, desde o começo cria situações bem engraçadas. Por exemplo, logo que começou a balbuciar as sílabas, ainda sem uma boa noção de seu significado (a não ser que significavam alguma coisa), ele às vezes as unia de um jeito que criava palavras com sentido, embora essa não fosse sua intenção. Certa vez olhou pra um amigo nosso na frente de várias pessoas e disparou um "papa!", quando ainda nem falava "papai", deixando nosso amigo bem contrangido.
Agora, que já nos imita as palavras e associa os sons a seus significados, também nos faz rir um bocado pela confusão que atribui a esses significados.
Por exemplo, costumamos sempre orar com ele, e ao final das orações dizemos "Em nome de Jesus, amém!". Outro dia meu marido reclamava de algo chato que acontecera desabafando "Ai, Jesus!". Vinícius disse na hora: "AMÉM!"
heheheheheh
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Mudanças
Há uns posts atrás, falando sobre o bebê e a escola, eu me coloquei como uma privilegiada: uma mãe que, por não precisar trabalhar para sobreviver, tinha condições de educar seu filho pessoalmente, de perto, acompanhando-o a cada conquista e fazendo parte de cada uma delas diretamente. Me coloquei contra a atitude, hoje considerada tão normal, de mandar crianças com menos de três anos para a escola sem um bom motivo. E disse que sonhava em colocar Vinícius na escola só lá para seus quatro anos, me programando para fazer sua educação aqui mesmo em casa, com meu próprio programa pedagógico.
POIS BEM. Tudo mudou.
Até quinta-feira eu tinha mais um privilégio: uma excelente babá. Que era babá não só do Vinícius como também minha e de meu marido. Me ajudava com a casa, cozinha, roupas e ainda demosntrava grande carinho e paciência para com meu pequeno. Ela era meu complemente quando eu tinha que ir à faculdade (estudo pela manhã e à noite, Licenciatura em Música), pois também o estimulava e fazia brincadeiras que despertavam seu interesse em conhecer e aprender. Criativa, sempre encontrava um brincar-pedagógico, e nessa parceria estávamos indo muito bem, pois Vinícius já demosntra cognição motora, social, linguística e musical acima da média de sua idade (momento coruja: além de ser um bebezão que com seus 1 ano e 9 meses pasa facilmente por uma criança de três anos).
Acontece que minha babá adoeceu seriamente com uma crise de diabetes e vai ter que se ausentar por não sei quanto tempo. E eu me vi de repente, não mais que de repente, SÓ.
Meu marido ajuda muito, muuuuuuuito mesmo, mas ele tem a árdua tarefa de ser o único provedor financeiro da casa (espero que por enquanto!). Minha mãe e parentes moram a dois estados do meu. Não tenho maigos ou vizinhos que possa ajudar também. E estou concluindo meu último semestre na faculdade, prestes a fazer os últimos trabalhos, que além de serem os últimso são também bem complicados.
O QUE FAZER?
Quase enlouqueço este fim-de-semana. Minha cabeça até agora dói. Estou me sentindo atordoada, fracassada e literalmente tonta, tão grande minha capacidade psico-somática. Meu sonho de homeschool e de participar comoe ducadora dos primeiros e mais importantes anos de meu filho parece estar indo de água abaixo. Depois de quebrar minha cabeça com todas as opções possíveis - inclusive a de encontrar outra babá, não me restou outra alternativa: uma escola. Uma babá é algo para se encontrar com calma. A minha ex-babá eu acompanhei de perto nas primeiras semanas porque estava de férias. Não posso simplesmente pegar alguém que desconheço (mesmo com recomendações) e deixar em casa com meu filho. Tenho que observar, treinar, conversar, explicar a maneira como ocrio e como ela pode me ajudar nisso. Tenho que ver a forma como ela desenvolve o apego com ele, como lida com suas necessidades e sua autonomia. Ou seja, é algo muito complexo, e não estou podendo faltar tanto na faculdade para fazer isso.
O que fazer, abandonar o curso? Olha, se fosse em outro contexto eu até faria. Quando engravidei, aos quatro meses decidi trancar o curso porque senti que era o melhor pra^meu bebê e pra mim. Atrasei a formatura mas não me arrependo, foi a decisão mais certa naquele momento. Mas agora é diferente. Eu lutei tanto para fazer este curso (Fiz outro curso de seis anos antes desse que só me deu desgosto até hoje, e tive que ter coragem pra recomeçar... com a ajuda do meu marido, sem o qual nada disso seria possível, enfrentei preconceitos, medos, dificuldades mil). Driblei tantas situações aparentemente sem saída para conseguir chegar na reta final. Agoa sinto que o melhor para mim - e para meu bebê - é terminar meu curso e partir para uma nova etapa de vida que também irá beneficiá-lo. Que me fará uma mãe com mais competências para dar-lhe suporte. Uma mãe que nunca dirá: "Abneguei minha vida por você" fazendo-o carregar uma cobrança disfarçada de amor. Mas que terá muitas histórias para lhe contar quando ele se sentir prestes a querer desistir de um sonho. Histórias que poderão lhe dar nova esperança. Esperança que o motivará a caminhar um pouco mais, e me dará o prazer de caminhar ao seu lado.
Não é a primeira vez que enfrento um dilema com as instituições infantis. Quando ele tinha sete meses me vi numa situação parecida, e por trÊs meses ele ía duas vezes por semana, na parte da manhã, para o que aqui em Recife chamamos de Hotelzinho. Uma espécie de berçário, que difere da escola de educação infantil porque seu foco é em CUIDAR, enquanto na escola o foco é EDUCAR. Como o hotelzinho era na rua da minha casa, e me inspirou segurança (parecia uma casa de tia, com cuidadoras muito amáveis), ele passou seus momentos lá. Nos primeiros dias eu chorava feito uma boba enquanto ía para a faculdade depois de deixá-lo lá. Outros dias ele quem chorava quando eu ía (era mais raro, normalmente ele ficava numa boa, mas tinha dia que tava mais a fim de um colinho de mãe). Quando fez um ano eu comecei com a "era babá", e como Deus me abençoou com alguém quase-perfeita, eu vivi um período de céu, com tudo sob controle, tudo saindo do jeitinho que eu sempre sonhei. Muito tempo para estudar e para cuidar do desenvolvimento de Vinícius.
Agora essa era acabou. Abruptamente. Estou ensandecida sem poder estudar num momento crucial de meu curso, tendo que fazer mil tarefas domésticas sozinha, e dar toda a atenção que ele requer também. O hotelzinho fechou e mesmo que ainda estivesse aberto (ouvi rumores de que estão reformando para reabrir), não acho que comporte mais as necessidades dele, uma vez que eu já comeceu sua educação intelectual, e o simples cuidar não basta para o meu bebÊ.
Meu bebê. Essa é outra questão. Quando eu o vir fardado e indo para a escola formal... meu Deus... será também o fim da era bebê. Será seu primeiro passo rumo À independÊncia definitiva. Mais um corte na nossa relação... um corte que acho precoce!! Mas é claro, que a plasticidade da criança permite cicatrizar rapidinho e logo adaptar-se. O problema é que numa "véia" como eu, essa plasticidade já não é tão grande, e meu coração sangrará por ainda muito tempo.... não sei se conseguirei me perdoar por deixá-lo ir assim, tão pequenino... tento visualizar Ana quando deixou Samuel na porta do Templo para que ele fosse educado lá em regime integral, tipo internato. MEu Deus, como ela deve ter sentido! MAs confiou em ´Deus e é isso que tenho que fazer também, orar, entregar a Deus e confiar.
Alguém que esteja me lendo aí pode estar achando que estou fazendo um melodrama, uma tempestade num copo de lágrimas, heheheheh talvez até seja. Mas tenho que confessar aqui minha dor, afinal, foi para isso que comecei a escrever aqui, para desabafar minhas angústias e felicidades de mãe.
Ok, depois dessa brve introdução... heheheh, vamos à parte prática. Sem tempo de pensar muito nem adaptar-me, nem sequer de fazer uma vasta pesquisa como eu gostaria, olhei na internet, andei pelo meu bairro e acho que enfim encontrei uma boa escola para colcoar Vinícius nessa atordoada fase em que entramos.
Vou dizer mais ou menos como foi e quais meus critérios para escolher essa boa escola. Bem, acho que felizmente os alunso de hoje, que vivem na era pós-Piaget, podem festejar o grande número de boas escolas. A pedagogia sócio-cosntrutivista e as posteriores vieram a acrescentar muito à educação de uma forma geral, e em especial À educação infantil. Ainda existem algums "depóstios de criança" em nada comprometidos com a educação global das crianças, que ainda usam meios tradicionalistas e absurdos para (des)educá-las e lhes encher de neuroses bem cedo.
Mas felizmente isso não é mais maioria hoje. Nas minhas buscas encontrei várias escolas boas, a questão é que, justamente por dependerem da coordenação e direção de seres humanos elas nunca tÊm aperfeição completa. NEnhuma delsa combina exatamente com sua maneira de ver a perfeição. Então o jeito é encontrar aquela que tem os valores mais significativos para você.
Depois de muito pesquisar (num tempo recorde de dois dias), eu me vi diante de ter que decidir entre:
- A escola dos sonhos - aquela escola que eu queria ser a dona. Linda, toda projetada arquitetonicamente para as crianças, arborizada, ampla, com salas de aula integradas à natureza, horta, jardim, parquinho com mil opções para desenvolver a psicomotricidade, nutricionista, psicólogo, pedagoga especializada em educação e desenvolvimento infantil, professoras incríveis, natação, propostas pedagógicas e material didático de babar. ATÉ AULA DE MÚSICA!!! Evidentemente, completamente foa de nosso orçamento. Eu precisaria passar num concurso público só para sustentar esse sonho. Inviável! E me fez ficar um pouco revoltada: essa deveria ser a escola para todos, a escola pública, mas infelizmente é a escola de quem pode pagar, logo, o que é ideal é considerado luxo.
- A escola-conteúdo - tive uma conversa excelente com a supervisora pedagógica dessa escola, onde discutimos métodos e didática do ensino infantil coma maior empolgação. Ela me mostrou o excelente material didático utilizado com as crianças do maternal, apostilas especialmente preparadas para elas, todas de acordo com os eixos do RCNEI (Referencial Curricular NAcional para Educação Infantil, documento do MEC que deve nortear o ensino nesse nível). Ela me mostrou a classe com os diferentes ambientes pedagógicos, inclusive um lindo lugar para repouso e trocas. Me falou das ferramentas e conteúdos aplicados aos alunos e eu os vi todos sentados numa roda, quietinhos e compenetrados. Um quadro com a rotina diária dos alunos figurava bem grande, como se a super nanny tivese passado por lá. Deu um dó!!! Percebi que o foco dessa escola é no conteúdo, tanto que seu parquinho, mesmo diante de uma estrutura física geral muito boa (tudo novinho e com cara de colégio "de respeito"), é um parquinho ridículo. Num lugar pequeno, com um brinquedo apenas, sem areia, tão querida pelos pequenos nessa fase, sem contato com a natureza... dá impressão que eles passam a maior parte do tempo dentro da sala mesmo. Não há uma árvore decente para eles olharem, só aquelas palmeira decorativas nos corredores. Achei um ambiente triste, apesar de tão excelente pedagogicamente. Mas fiquei balançada... afinal, as professoras me pareceram carinhosas e o ambiente, apesar de tudo, acolhedor.
- A escola afeto - A mensalidade é a mesma da anterior, mas não há taxas para livros de apoio (o material didático é fornecido pela própria escola e as vezes confeccionado pela própria professora), nem taxa para agenda (os comunicados são dados diretamente entre a mãe e a professora quando estas se encontram), nem natação. Mas há um enorme parque de areia na frente do colégio, com árvores de verdade (não aquelas de enfeite), muitos brinquedos (alguns simples, mas todos muitos atraentes e seguros). A estrutura é de uma casa de vovó. Aqui acolá encontramos uma lâmpada queimada, um pedaço de parede precisando de pintura. Mas a "tia" ("Tia" sim, eu acho que tem que chamar de TIA sim senhor, pelo menos nessa idade, e tem que encher a boca TIIIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAAA, quem se incomoda que vá ensinar na faculdade), oh, Deus, a "Tia" era um doce. Os alunos tinham todos caras de felizes. As paredes das pequena sala estavam todas decoradas com capricho, apesar da simplicidade. Tudo muito colorido, cadeiras e mesas não padronizadas, algumas de bichinhos, brinquedos educativos espalhados por prateleiras ao alcance das crianças. Um aquário enorme recebe as crianças logo na entrada, e na lista de material individual, além dos de praxe, baldinho de praia e esteira pra brincar na areia. Que bacana! Embora a coordenadora pedagógica não tenha me parecido muito simpática (hmmmm talvez porque ela já recusou um projeto de musicalização meu quando fui, há um tempo atrás, oferecê-lo nessa escola, hehehehe), os funcionários me pareceram afetuosos e bem humorados. Essa escola me balançou muito!!! Lembrei do quanto eu me divertia na areia da escola onde estudei até a 4ª série, como era bom ter lugar pra correr e brincar no pátio, como era bom ter uma professora que fosse uma "tia". Fiquei numa dúvida cruel entre esta escola e a anteiror, afinal, conteúdo pedagógico é muito importante, e isso de ter livros no maternal é lindo demais... mas pensei: poxa, Vinícius terá tempo demais para se preocupar com conteúdo pedagógico. Ele vai carregar quilos de livros, todos os dias de sua vida, por muuuuuuitos anos. Será que agora, especialmente nesa fase onde o aprender e o afeto estão tão conjugados, o mais importante não é um lugar onde ele possa ter experiÊncias agradáveis, onde a aprendizagem seja feita com mais calor, com simplicidade e carinho ao invés de sofisticação e sistematização? Sempre achei fascinante a capacidade de criar com simplicidade. Sou fã da metodologia Waldorf por causa disso. Acho que a escola vai ser essa mesma, Amanhã irei providenciar documentos e material, e acho que até quinta ele começa. Ainda vou tirar umas dúvidas com a coordenadora para ter certeza absoluta, mas acho que vai ser lá mesmo, pelo menos esse ano, pelo menos até as coisas se ajeitarem por aqui.
Bem... e ele, o que acha disso tudo? Em todas as escolas que fui, ele foi logo chegando e se enturmando. Sem nem olhar pra trás pra ver minha cara de espanto, ía entrando na salinha, sentando no colo da professora, na mesa com os coleguinhas, pegando os joguinhos, interagindo com os brinquedos e livrinhos, uma graça! O dia pra mim, que foi de angústia e dúvida, foi pra ele de pura diversão. Tanto que ele reclamou muito toda vez que eu ía embora, não queria sair das escolas de jeito nenhum, huahauhua As professoras ficavam doidas por meu "sem-vergonha" e elogiaram sua sociabilidade, sua coordenação motora, sua capacidade de se expressar ("Puxa, ele já fala tanta coisa pra idade dele!"), sua habilidade com os joguinhos de lógica e sons, e é claro, seu tamanhão "Nossa, como ele é graaaande"... uma ficou realmente espantada e batemos um papinho sobre os estímulos que eu faço com ele em casa, que ela elogiou muito. Bem... meu consolo é me dar conta que isso não precisa acabar. Posso agir junto com a escola. Não quero se uma mãe chata, mas vou fazer questão de saber todo conteúdo que será trabalhado paa eu também incrementar em casa, de forma lúdica, claro, para não encher o saco dele, mas para que eu continue participando diretamente desta fase maravilhosa dele que é descobrir o mundo.
Ah, meu amor, meu pequenininho. Se você soubesse o que o mundo é... talvez preferisse ficar mesmo eternamente no colinho da mamãe.
Trarei notícias nos próximos dias.
POIS BEM. Tudo mudou.
Até quinta-feira eu tinha mais um privilégio: uma excelente babá. Que era babá não só do Vinícius como também minha e de meu marido. Me ajudava com a casa, cozinha, roupas e ainda demosntrava grande carinho e paciência para com meu pequeno. Ela era meu complemente quando eu tinha que ir à faculdade (estudo pela manhã e à noite, Licenciatura em Música), pois também o estimulava e fazia brincadeiras que despertavam seu interesse em conhecer e aprender. Criativa, sempre encontrava um brincar-pedagógico, e nessa parceria estávamos indo muito bem, pois Vinícius já demosntra cognição motora, social, linguística e musical acima da média de sua idade (momento coruja: além de ser um bebezão que com seus 1 ano e 9 meses pasa facilmente por uma criança de três anos).
Acontece que minha babá adoeceu seriamente com uma crise de diabetes e vai ter que se ausentar por não sei quanto tempo. E eu me vi de repente, não mais que de repente, SÓ.
Meu marido ajuda muito, muuuuuuuito mesmo, mas ele tem a árdua tarefa de ser o único provedor financeiro da casa (espero que por enquanto!). Minha mãe e parentes moram a dois estados do meu. Não tenho maigos ou vizinhos que possa ajudar também. E estou concluindo meu último semestre na faculdade, prestes a fazer os últimos trabalhos, que além de serem os últimso são também bem complicados.
O QUE FAZER?
Quase enlouqueço este fim-de-semana. Minha cabeça até agora dói. Estou me sentindo atordoada, fracassada e literalmente tonta, tão grande minha capacidade psico-somática. Meu sonho de homeschool e de participar comoe ducadora dos primeiros e mais importantes anos de meu filho parece estar indo de água abaixo. Depois de quebrar minha cabeça com todas as opções possíveis - inclusive a de encontrar outra babá, não me restou outra alternativa: uma escola. Uma babá é algo para se encontrar com calma. A minha ex-babá eu acompanhei de perto nas primeiras semanas porque estava de férias. Não posso simplesmente pegar alguém que desconheço (mesmo com recomendações) e deixar em casa com meu filho. Tenho que observar, treinar, conversar, explicar a maneira como ocrio e como ela pode me ajudar nisso. Tenho que ver a forma como ela desenvolve o apego com ele, como lida com suas necessidades e sua autonomia. Ou seja, é algo muito complexo, e não estou podendo faltar tanto na faculdade para fazer isso.
O que fazer, abandonar o curso? Olha, se fosse em outro contexto eu até faria. Quando engravidei, aos quatro meses decidi trancar o curso porque senti que era o melhor pra^meu bebê e pra mim. Atrasei a formatura mas não me arrependo, foi a decisão mais certa naquele momento. Mas agora é diferente. Eu lutei tanto para fazer este curso (Fiz outro curso de seis anos antes desse que só me deu desgosto até hoje, e tive que ter coragem pra recomeçar... com a ajuda do meu marido, sem o qual nada disso seria possível, enfrentei preconceitos, medos, dificuldades mil). Driblei tantas situações aparentemente sem saída para conseguir chegar na reta final. Agoa sinto que o melhor para mim - e para meu bebê - é terminar meu curso e partir para uma nova etapa de vida que também irá beneficiá-lo. Que me fará uma mãe com mais competências para dar-lhe suporte. Uma mãe que nunca dirá: "Abneguei minha vida por você" fazendo-o carregar uma cobrança disfarçada de amor. Mas que terá muitas histórias para lhe contar quando ele se sentir prestes a querer desistir de um sonho. Histórias que poderão lhe dar nova esperança. Esperança que o motivará a caminhar um pouco mais, e me dará o prazer de caminhar ao seu lado.
Não é a primeira vez que enfrento um dilema com as instituições infantis. Quando ele tinha sete meses me vi numa situação parecida, e por trÊs meses ele ía duas vezes por semana, na parte da manhã, para o que aqui em Recife chamamos de Hotelzinho. Uma espécie de berçário, que difere da escola de educação infantil porque seu foco é em CUIDAR, enquanto na escola o foco é EDUCAR. Como o hotelzinho era na rua da minha casa, e me inspirou segurança (parecia uma casa de tia, com cuidadoras muito amáveis), ele passou seus momentos lá. Nos primeiros dias eu chorava feito uma boba enquanto ía para a faculdade depois de deixá-lo lá. Outros dias ele quem chorava quando eu ía (era mais raro, normalmente ele ficava numa boa, mas tinha dia que tava mais a fim de um colinho de mãe). Quando fez um ano eu comecei com a "era babá", e como Deus me abençoou com alguém quase-perfeita, eu vivi um período de céu, com tudo sob controle, tudo saindo do jeitinho que eu sempre sonhei. Muito tempo para estudar e para cuidar do desenvolvimento de Vinícius.
Agora essa era acabou. Abruptamente. Estou ensandecida sem poder estudar num momento crucial de meu curso, tendo que fazer mil tarefas domésticas sozinha, e dar toda a atenção que ele requer também. O hotelzinho fechou e mesmo que ainda estivesse aberto (ouvi rumores de que estão reformando para reabrir), não acho que comporte mais as necessidades dele, uma vez que eu já comeceu sua educação intelectual, e o simples cuidar não basta para o meu bebÊ.
Meu bebê. Essa é outra questão. Quando eu o vir fardado e indo para a escola formal... meu Deus... será também o fim da era bebê. Será seu primeiro passo rumo À independÊncia definitiva. Mais um corte na nossa relação... um corte que acho precoce!! Mas é claro, que a plasticidade da criança permite cicatrizar rapidinho e logo adaptar-se. O problema é que numa "véia" como eu, essa plasticidade já não é tão grande, e meu coração sangrará por ainda muito tempo.... não sei se conseguirei me perdoar por deixá-lo ir assim, tão pequenino... tento visualizar Ana quando deixou Samuel na porta do Templo para que ele fosse educado lá em regime integral, tipo internato. MEu Deus, como ela deve ter sentido! MAs confiou em ´Deus e é isso que tenho que fazer também, orar, entregar a Deus e confiar.
Alguém que esteja me lendo aí pode estar achando que estou fazendo um melodrama, uma tempestade num copo de lágrimas, heheheheh talvez até seja. Mas tenho que confessar aqui minha dor, afinal, foi para isso que comecei a escrever aqui, para desabafar minhas angústias e felicidades de mãe.
Ok, depois dessa brve introdução... heheheh, vamos à parte prática. Sem tempo de pensar muito nem adaptar-me, nem sequer de fazer uma vasta pesquisa como eu gostaria, olhei na internet, andei pelo meu bairro e acho que enfim encontrei uma boa escola para colcoar Vinícius nessa atordoada fase em que entramos.
Vou dizer mais ou menos como foi e quais meus critérios para escolher essa boa escola. Bem, acho que felizmente os alunso de hoje, que vivem na era pós-Piaget, podem festejar o grande número de boas escolas. A pedagogia sócio-cosntrutivista e as posteriores vieram a acrescentar muito à educação de uma forma geral, e em especial À educação infantil. Ainda existem algums "depóstios de criança" em nada comprometidos com a educação global das crianças, que ainda usam meios tradicionalistas e absurdos para (des)educá-las e lhes encher de neuroses bem cedo.
Mas felizmente isso não é mais maioria hoje. Nas minhas buscas encontrei várias escolas boas, a questão é que, justamente por dependerem da coordenação e direção de seres humanos elas nunca tÊm aperfeição completa. NEnhuma delsa combina exatamente com sua maneira de ver a perfeição. Então o jeito é encontrar aquela que tem os valores mais significativos para você.
Depois de muito pesquisar (num tempo recorde de dois dias), eu me vi diante de ter que decidir entre:
- A escola dos sonhos - aquela escola que eu queria ser a dona. Linda, toda projetada arquitetonicamente para as crianças, arborizada, ampla, com salas de aula integradas à natureza, horta, jardim, parquinho com mil opções para desenvolver a psicomotricidade, nutricionista, psicólogo, pedagoga especializada em educação e desenvolvimento infantil, professoras incríveis, natação, propostas pedagógicas e material didático de babar. ATÉ AULA DE MÚSICA!!! Evidentemente, completamente foa de nosso orçamento. Eu precisaria passar num concurso público só para sustentar esse sonho. Inviável! E me fez ficar um pouco revoltada: essa deveria ser a escola para todos, a escola pública, mas infelizmente é a escola de quem pode pagar, logo, o que é ideal é considerado luxo.
- A escola-conteúdo - tive uma conversa excelente com a supervisora pedagógica dessa escola, onde discutimos métodos e didática do ensino infantil coma maior empolgação. Ela me mostrou o excelente material didático utilizado com as crianças do maternal, apostilas especialmente preparadas para elas, todas de acordo com os eixos do RCNEI (Referencial Curricular NAcional para Educação Infantil, documento do MEC que deve nortear o ensino nesse nível). Ela me mostrou a classe com os diferentes ambientes pedagógicos, inclusive um lindo lugar para repouso e trocas. Me falou das ferramentas e conteúdos aplicados aos alunos e eu os vi todos sentados numa roda, quietinhos e compenetrados. Um quadro com a rotina diária dos alunos figurava bem grande, como se a super nanny tivese passado por lá. Deu um dó!!! Percebi que o foco dessa escola é no conteúdo, tanto que seu parquinho, mesmo diante de uma estrutura física geral muito boa (tudo novinho e com cara de colégio "de respeito"), é um parquinho ridículo. Num lugar pequeno, com um brinquedo apenas, sem areia, tão querida pelos pequenos nessa fase, sem contato com a natureza... dá impressão que eles passam a maior parte do tempo dentro da sala mesmo. Não há uma árvore decente para eles olharem, só aquelas palmeira decorativas nos corredores. Achei um ambiente triste, apesar de tão excelente pedagogicamente. Mas fiquei balançada... afinal, as professoras me pareceram carinhosas e o ambiente, apesar de tudo, acolhedor.
- A escola afeto - A mensalidade é a mesma da anterior, mas não há taxas para livros de apoio (o material didático é fornecido pela própria escola e as vezes confeccionado pela própria professora), nem taxa para agenda (os comunicados são dados diretamente entre a mãe e a professora quando estas se encontram), nem natação. Mas há um enorme parque de areia na frente do colégio, com árvores de verdade (não aquelas de enfeite), muitos brinquedos (alguns simples, mas todos muitos atraentes e seguros). A estrutura é de uma casa de vovó. Aqui acolá encontramos uma lâmpada queimada, um pedaço de parede precisando de pintura. Mas a "tia" ("Tia" sim, eu acho que tem que chamar de TIA sim senhor, pelo menos nessa idade, e tem que encher a boca TIIIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAAA, quem se incomoda que vá ensinar na faculdade), oh, Deus, a "Tia" era um doce. Os alunos tinham todos caras de felizes. As paredes das pequena sala estavam todas decoradas com capricho, apesar da simplicidade. Tudo muito colorido, cadeiras e mesas não padronizadas, algumas de bichinhos, brinquedos educativos espalhados por prateleiras ao alcance das crianças. Um aquário enorme recebe as crianças logo na entrada, e na lista de material individual, além dos de praxe, baldinho de praia e esteira pra brincar na areia. Que bacana! Embora a coordenadora pedagógica não tenha me parecido muito simpática (hmmmm talvez porque ela já recusou um projeto de musicalização meu quando fui, há um tempo atrás, oferecê-lo nessa escola, hehehehe), os funcionários me pareceram afetuosos e bem humorados. Essa escola me balançou muito!!! Lembrei do quanto eu me divertia na areia da escola onde estudei até a 4ª série, como era bom ter lugar pra correr e brincar no pátio, como era bom ter uma professora que fosse uma "tia". Fiquei numa dúvida cruel entre esta escola e a anteiror, afinal, conteúdo pedagógico é muito importante, e isso de ter livros no maternal é lindo demais... mas pensei: poxa, Vinícius terá tempo demais para se preocupar com conteúdo pedagógico. Ele vai carregar quilos de livros, todos os dias de sua vida, por muuuuuuitos anos. Será que agora, especialmente nesa fase onde o aprender e o afeto estão tão conjugados, o mais importante não é um lugar onde ele possa ter experiÊncias agradáveis, onde a aprendizagem seja feita com mais calor, com simplicidade e carinho ao invés de sofisticação e sistematização? Sempre achei fascinante a capacidade de criar com simplicidade. Sou fã da metodologia Waldorf por causa disso. Acho que a escola vai ser essa mesma, Amanhã irei providenciar documentos e material, e acho que até quinta ele começa. Ainda vou tirar umas dúvidas com a coordenadora para ter certeza absoluta, mas acho que vai ser lá mesmo, pelo menos esse ano, pelo menos até as coisas se ajeitarem por aqui.
Bem... e ele, o que acha disso tudo? Em todas as escolas que fui, ele foi logo chegando e se enturmando. Sem nem olhar pra trás pra ver minha cara de espanto, ía entrando na salinha, sentando no colo da professora, na mesa com os coleguinhas, pegando os joguinhos, interagindo com os brinquedos e livrinhos, uma graça! O dia pra mim, que foi de angústia e dúvida, foi pra ele de pura diversão. Tanto que ele reclamou muito toda vez que eu ía embora, não queria sair das escolas de jeito nenhum, huahauhua As professoras ficavam doidas por meu "sem-vergonha" e elogiaram sua sociabilidade, sua coordenação motora, sua capacidade de se expressar ("Puxa, ele já fala tanta coisa pra idade dele!"), sua habilidade com os joguinhos de lógica e sons, e é claro, seu tamanhão "Nossa, como ele é graaaande"... uma ficou realmente espantada e batemos um papinho sobre os estímulos que eu faço com ele em casa, que ela elogiou muito. Bem... meu consolo é me dar conta que isso não precisa acabar. Posso agir junto com a escola. Não quero se uma mãe chata, mas vou fazer questão de saber todo conteúdo que será trabalhado paa eu também incrementar em casa, de forma lúdica, claro, para não encher o saco dele, mas para que eu continue participando diretamente desta fase maravilhosa dele que é descobrir o mundo.
Ah, meu amor, meu pequenininho. Se você soubesse o que o mundo é... talvez preferisse ficar mesmo eternamente no colinho da mamãe.
Trarei notícias nos próximos dias.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Mais sobre os vilões
Domingo passado saiu uma matéria interessante num jornal local daqui de Recife, que só vem a confirmar o que escrevi no posto "Ouça o que eu digo, não ouça ninguém", logo abaixo. No referido post eu esqueci de mencionar ainda um item na minha lista de "produtos abomináveis que usei com meu filho". O andador.
Com 7 meses Vinícus demonstrava grande interesse em se movimentar mas não queria saber de engatinhar. Mesmo estimulando-o desde os 4 meses com vários exercícios, tapetes e deixando ele de bruços, e chamando com brinquedos, e o escambau que me diziam, o garoto não queria saber de engatinhar. Mas queria ficar o tempo todo vagando pela casa em nosso braço. Então respirei fundo e comprei um andador. Depois de muito pesquisar sobre o assunto vi que é mais um assunto em que os pediatras não concordam unanimemente, e que os mais equilibrados sustentam a velha e boa premissa que o único perigo é o exagero. Assim, seguindo recomendações dos pediatras que me pareceram menos radicais, colocava Vinícius cerca de uma hora por dia no andador, dividido em dois períodos de meia hora, um à noite, e outro de dia. Meu filho AMOU. Dava vazão a sua energia e sua curiosidade e nunca sofreu nenhum acidente, pelo contrário, explorava o mundo com satisfação. Continuei estimulando-o para engatinhar, mas ele só o fez com 11 meses, e duas semanas depois andou. Não ficou com perna nem pé torto, nem com pisada cruzada, nem com problema de coluna, nem andando na ponta do pé. Tem uma coordenação motora e percepção espacial primorosas, antes de andar já chutava uma bola bem certeiro segurado pelos braços, e não cansa de me impressionar com a habilidade de seus movimentos (ainda mais que eu e o pai não somos do tipo atletas, hehehe). Perdeu o interesse pelo andador sozinho, com cerca de 10 meses, quando começou a andar segurando nos móveis. E meus braços descansaram um bocadinho, graças a Deus! É fácil dizer "meu filho não usa andador" quando se tem uma babá pra segurar o pesinho-pesado o dia inteiro! Quando não... é hora de repensar os conceitos...
Sobre a chupeta, já falei que Vinícius começou a usar com 3 meses, por sugestão da pediatra em face da personalidade dele (high needs, Lu!), usando para dormir e em alguns momentos como objeto transicional. Llargou sozinho, numa boa, sem traumas nem sofrimento, por pura falta de interesse, com 1 ano e 8 meses, bem antes dela fazer qualquer estrago. Fala, mastiga, sorri perfeitamente e tem dentes lindamente alinhados. A reportagem abaixo fala tudo o mais por mim.
Dar ou não a chupeta: eis a questão
Pesquisa derruba o mito de que a chupeta é empecilho à amamentação de recém-nascidos. Para dentistas, no entanto, ela ainda é vilã
Há pelo menos três mil anos, a humanidade recorre a ela para fazer silenciar bebês indóceis. Mas, fora do berço, chupeta angustia mais que acalma. Desde que os gregos tiveram a ideia de dar a seus rebentos um consolo feito de linho trançado e embebido em mel, leite adocicado, conhaque e láudano (ópio misturado com álcool), uma verdadeira celeuma instaurou-se entre pais e médicos sobre os efeitos da pretensamente inofensiva chupetinha na amamentação, dentição e até respiração dos pequenos.
Ainda no século 19, quando muito pouco se sabia sobre o assunto, o consenso médico já era de que as chupetas deveriam ser evitadas a todo custo. Um dos mais respeitados representantes da categoria na Europa de então, o alemão Christoph Jakob Mellin, bradava aos quatro ventos que as trouxinhas de pano úmido produziam “boca grande e lábios grossos”. E, pior ainda, expunham os pequenos a um enorme risco de contrair doenças venéreas, já que os panos eram umedecidos também com a saliva das mães e enfermeiras.
Séculos e muita pesquisa depois, só agora surgem os primeiros estudos que redimem, pelo menos em parte, a adoção do que a literatura médica chama de sucção não nutritiva. Segundo essas pesquisas, a chupeta não inviabiliza, necessariamente, a amamentação. E pode até ajudar a prevenir a morte súbita, síndrome que causa parada respiratória em bebês com menos de um ano, durante o sono.
Um desses estudos que, se não endossam, pelo menos não demonizam a prática muito adotada por pais e mães insones mundo afora, é latino. Realizada em Buenos Aires, a pesquisa levou em consideração um universo de mil bebês – e mães – recém-nascidos. Para a metade das famílias, o médico Néstor Vain, diretor do Departamento de Pediatria e Neonatologia da Maternidad Palermo, Sanatorio de La Trinidad, recomendou o uso da chupeta. E, para a outra metade, proibiu.
A conclusão foi uma grande surpresa: nos dois grupos, o índice de sucesso no aleitamento materno foi de 86%. “Mas é bom que fique claro: não é que a chupeta não atrapalhe em nada a amamentação. Na verdade, fica provado que ela não a inviabiliza, necessariamente”, diz a também pediatra neonatologista Débora Passos, do Hospital Santa Joana, de São Paulo, onde a pesquisa foi apresentada no Brasil.
O utensílio, hoje disponível em silicone com formato anatômico, também tem sido apontado pela comunidade médica como aliado na prevenção da morte súbita. “Um dos fatores associados à síndrome é a língua posteriorizada, posicionada perto da garganta, que a chupeta corrige, empurrando para baixo”, explica Débora, que, nem assim, acha sensato tirar do objeto o rótulo de vilão.
Bernadete Dantas, pediatra e coordenadora do Banco de Leite do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), também recomenda cautela às mães. “A confusão entre peito e chupeta é inevitável. Porque os músculos envolvidos nas duas formas de sugar são diferentes”, diz. E a pegada principalmente. “Para mamar, o recomendado é que a criança abra bem a boca e a chupeta acostuma ela a fechar.” Além de fazer dormir mais. “É bom para quem quer descansar os ouvidos, mas não para quem deseja amamentar, já que o principal estímulo à produção de leite é a sucção”, alerta.
Até dois anos atrás, Paôla Rebeca Fernandes, 30, diria exatamente o mesmo. Mas a chegada de João Gabriel mudou tudo: teoria e prática. “Eu tinha muita resistência à chupeta. Sabia, como profissional, que não era indicado. Mas, quando João tinha 10 meses, só dormia se fosse no peito. Nem era fome. Só dengo. Aí capitulei: providenciei logo uma chupetinha”, conta. “Minha mãe, que fica com ele quando dou plantão no hospital, adorou a ideia”, brinca Paôla, que não se arrepende de jeito nenhum. Nem contra-indica mais os bicos de plástico no consultório. “Hoje, acho que usar ou deixar de usar é uma opção. O importante é saber que qualquer uma das decisões exige cuidados”, avisa.
Os fantasmas que assombram pais e mães pró-chupeta são muitos: ela pode interferir na arcada dentária, atrapalhar a dicção, inibir o desenvolvimento ósseo adequado da mandíbula, além de ser fonte de contaminação. Mas os imunes à ameaça plástica nem sempre dormem tranquilos. E não é só por conta de um chororô ou outro no meio da madrugada. O dedo pode ser mais nocivo que a chupeta. E é nele que muita criança acaba encontrando uma resposta para sua carência oral.
Helena, 10 anos, encontrou. E sua mãe, a economista Belmira Galhardo, 43, que não tinha deixado entrar chupeta em casa para evitar aborrecimentos, trombou com um problemão. “Helena tinha quatro anos quando a médica sugeriu que colocasse aparelho”, conta. Mas não qualquer um. “O aparelho tinha uma espécie de garfo no céu da boca, que machucava o dedo se ela tentasse chupar.” Foram necessários oito meses para que Helena desistisse do polegar. E se livrasse do “garfo”. Belmira, por sua vez, livrou-se da antipatia por chupeta. “Quando Beatriz, hoje com quatro anos, nasceu, fui logo oferecendo”, conta. “Mas ela não pegou”, diz Bel. “Acho que não insisti o bastante.”
A psicóloga Carla Andrade Leal, 35, nem precisou insistir. Começou a campanha tão cedo, que o primogênito Guilherme já saiu da maternidade de chupeta no bico. “Por mais que falem mal, é um consolo indispensável. Foi assim tanto para ele, quanto para mim. Especialmente quando precisei voltar a trabalhar”, confessa Carla.
Em caso, aliás, casa de mãe trabalhadora como ela, explica a psicóloga Danielle Diniz, chupeta é objeto transicional. “Ela acalenta o bebê quando a mãe não está por perto. Ocupa, de certa forma, o lugar dela”, diz. Não sacia a fome, mas resolve a necessidade de sugar por prazer, típica do que Freud batizou de fase oral, quando desejos são supridos só pela boca.
Hoje Guilherme tem dois anos e uma meia dúzia de “petas”. “Não me preocupo com isso. Ele só usa para dormir, tem dentição e dicção perfeitas. Daqui a pouco, com a ajuda da escola, tiro”, diz Carla. Diante da encruzilhada da chupeta, ela conta que optou pelo caminho empírico. O mesmo que sua sogra, Teresa Cristina Bandeira Leal, 60, trilhou há mais de três décadas. “Quando nasceu minha primeira filha, Maria Dulce, nem pensei duas vezes: ofereci. À segunda, Ana Helena, também”, recorda Teresa. Mas quando chegou o caçula, Luís, ela decidiu reduzir o arsenal de coisinhas indispensáveis e riscou a chupeta do enxoval. “Pra quê? Me arrependo até hoje. Luís foi, dos três, o que mais deu trabalho. Não parava de chorar.” E, por uma ironia qualquer do destino, foi justamente ele o único da família que precisou usar aparelho, conta Teresa, hoje árdua defensora da chupeta.
A advogada Maria Coutinho, 32, é outra. Sempre foi. Mãe de Marina, 2 anos, e Felipe, 1 mês, ela nunca deixou de dar chupeta aos rebentos. Nem de amamentar. “Não atrapalhou. Pelo contrário. Ela evita que o bebê encha muito a barriga e fique agoniado, gofando”, opina Maria, que libera geral o uso da chupeta em casa. “Dou a qualquer hora, sempre que eles pedem.” E como pedem. Marina usa logo duas por vez: “uma para chupar e outra para cheirar”, diverte-se a mãe. Sabe-se lá até quando. “Ainda não sei quando vou tirar”, diz Maria.
Mas é bom que seja logo. Segundo a odontopediatra Ivana Severo, na cadeira do dentista, não há espaço para polêmica: chupeta faz mal e pronto. “Pode causar vários problemas, como mordida aberta, mordida cruzada”, avisa. Mas só a partir do terceiro ano de vida da criança. “Todo prejuízo que a chupeta causar até lá é absolutamente reversível. Basta entregá-la ao Papai Noel e tudo volta ao normal”, brinca.
Ou, como fez a também dentista Karina Castelão, 32, jogar do viaduto para “o gatinho”. Mãe de Júlia, 4 anos, ela aboliu a chupeta da rotina da filha quando a menina tinha dois anos. “O problema da chupeta é o exagero. Com bom senso, ela não atrapalha”, diz Karina, que já reabasteceu o estoque da casa para o recém-nascido Mateus. “Contra a cólica, não há remédio melhor”, brinca. Já Mateus, leva bem a sério. De plástico ou da mamãe, bico é com ele mesmo.
Jornal do Comércio - Pernambuco - 03/05/2009
Com 7 meses Vinícus demonstrava grande interesse em se movimentar mas não queria saber de engatinhar. Mesmo estimulando-o desde os 4 meses com vários exercícios, tapetes e deixando ele de bruços, e chamando com brinquedos, e o escambau que me diziam, o garoto não queria saber de engatinhar. Mas queria ficar o tempo todo vagando pela casa em nosso braço. Então respirei fundo e comprei um andador. Depois de muito pesquisar sobre o assunto vi que é mais um assunto em que os pediatras não concordam unanimemente, e que os mais equilibrados sustentam a velha e boa premissa que o único perigo é o exagero. Assim, seguindo recomendações dos pediatras que me pareceram menos radicais, colocava Vinícius cerca de uma hora por dia no andador, dividido em dois períodos de meia hora, um à noite, e outro de dia. Meu filho AMOU. Dava vazão a sua energia e sua curiosidade e nunca sofreu nenhum acidente, pelo contrário, explorava o mundo com satisfação. Continuei estimulando-o para engatinhar, mas ele só o fez com 11 meses, e duas semanas depois andou. Não ficou com perna nem pé torto, nem com pisada cruzada, nem com problema de coluna, nem andando na ponta do pé. Tem uma coordenação motora e percepção espacial primorosas, antes de andar já chutava uma bola bem certeiro segurado pelos braços, e não cansa de me impressionar com a habilidade de seus movimentos (ainda mais que eu e o pai não somos do tipo atletas, hehehe). Perdeu o interesse pelo andador sozinho, com cerca de 10 meses, quando começou a andar segurando nos móveis. E meus braços descansaram um bocadinho, graças a Deus! É fácil dizer "meu filho não usa andador" quando se tem uma babá pra segurar o pesinho-pesado o dia inteiro! Quando não... é hora de repensar os conceitos...
Sobre a chupeta, já falei que Vinícius começou a usar com 3 meses, por sugestão da pediatra em face da personalidade dele (high needs, Lu!), usando para dormir e em alguns momentos como objeto transicional. Llargou sozinho, numa boa, sem traumas nem sofrimento, por pura falta de interesse, com 1 ano e 8 meses, bem antes dela fazer qualquer estrago. Fala, mastiga, sorri perfeitamente e tem dentes lindamente alinhados. A reportagem abaixo fala tudo o mais por mim.
Dar ou não a chupeta: eis a questão
Pesquisa derruba o mito de que a chupeta é empecilho à amamentação de recém-nascidos. Para dentistas, no entanto, ela ainda é vilã
Há pelo menos três mil anos, a humanidade recorre a ela para fazer silenciar bebês indóceis. Mas, fora do berço, chupeta angustia mais que acalma. Desde que os gregos tiveram a ideia de dar a seus rebentos um consolo feito de linho trançado e embebido em mel, leite adocicado, conhaque e láudano (ópio misturado com álcool), uma verdadeira celeuma instaurou-se entre pais e médicos sobre os efeitos da pretensamente inofensiva chupetinha na amamentação, dentição e até respiração dos pequenos.
Ainda no século 19, quando muito pouco se sabia sobre o assunto, o consenso médico já era de que as chupetas deveriam ser evitadas a todo custo. Um dos mais respeitados representantes da categoria na Europa de então, o alemão Christoph Jakob Mellin, bradava aos quatro ventos que as trouxinhas de pano úmido produziam “boca grande e lábios grossos”. E, pior ainda, expunham os pequenos a um enorme risco de contrair doenças venéreas, já que os panos eram umedecidos também com a saliva das mães e enfermeiras.
Séculos e muita pesquisa depois, só agora surgem os primeiros estudos que redimem, pelo menos em parte, a adoção do que a literatura médica chama de sucção não nutritiva. Segundo essas pesquisas, a chupeta não inviabiliza, necessariamente, a amamentação. E pode até ajudar a prevenir a morte súbita, síndrome que causa parada respiratória em bebês com menos de um ano, durante o sono.
Um desses estudos que, se não endossam, pelo menos não demonizam a prática muito adotada por pais e mães insones mundo afora, é latino. Realizada em Buenos Aires, a pesquisa levou em consideração um universo de mil bebês – e mães – recém-nascidos. Para a metade das famílias, o médico Néstor Vain, diretor do Departamento de Pediatria e Neonatologia da Maternidad Palermo, Sanatorio de La Trinidad, recomendou o uso da chupeta. E, para a outra metade, proibiu.
A conclusão foi uma grande surpresa: nos dois grupos, o índice de sucesso no aleitamento materno foi de 86%. “Mas é bom que fique claro: não é que a chupeta não atrapalhe em nada a amamentação. Na verdade, fica provado que ela não a inviabiliza, necessariamente”, diz a também pediatra neonatologista Débora Passos, do Hospital Santa Joana, de São Paulo, onde a pesquisa foi apresentada no Brasil.
O utensílio, hoje disponível em silicone com formato anatômico, também tem sido apontado pela comunidade médica como aliado na prevenção da morte súbita. “Um dos fatores associados à síndrome é a língua posteriorizada, posicionada perto da garganta, que a chupeta corrige, empurrando para baixo”, explica Débora, que, nem assim, acha sensato tirar do objeto o rótulo de vilão.
Bernadete Dantas, pediatra e coordenadora do Banco de Leite do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), também recomenda cautela às mães. “A confusão entre peito e chupeta é inevitável. Porque os músculos envolvidos nas duas formas de sugar são diferentes”, diz. E a pegada principalmente. “Para mamar, o recomendado é que a criança abra bem a boca e a chupeta acostuma ela a fechar.” Além de fazer dormir mais. “É bom para quem quer descansar os ouvidos, mas não para quem deseja amamentar, já que o principal estímulo à produção de leite é a sucção”, alerta.
Até dois anos atrás, Paôla Rebeca Fernandes, 30, diria exatamente o mesmo. Mas a chegada de João Gabriel mudou tudo: teoria e prática. “Eu tinha muita resistência à chupeta. Sabia, como profissional, que não era indicado. Mas, quando João tinha 10 meses, só dormia se fosse no peito. Nem era fome. Só dengo. Aí capitulei: providenciei logo uma chupetinha”, conta. “Minha mãe, que fica com ele quando dou plantão no hospital, adorou a ideia”, brinca Paôla, que não se arrepende de jeito nenhum. Nem contra-indica mais os bicos de plástico no consultório. “Hoje, acho que usar ou deixar de usar é uma opção. O importante é saber que qualquer uma das decisões exige cuidados”, avisa.
Os fantasmas que assombram pais e mães pró-chupeta são muitos: ela pode interferir na arcada dentária, atrapalhar a dicção, inibir o desenvolvimento ósseo adequado da mandíbula, além de ser fonte de contaminação. Mas os imunes à ameaça plástica nem sempre dormem tranquilos. E não é só por conta de um chororô ou outro no meio da madrugada. O dedo pode ser mais nocivo que a chupeta. E é nele que muita criança acaba encontrando uma resposta para sua carência oral.
Helena, 10 anos, encontrou. E sua mãe, a economista Belmira Galhardo, 43, que não tinha deixado entrar chupeta em casa para evitar aborrecimentos, trombou com um problemão. “Helena tinha quatro anos quando a médica sugeriu que colocasse aparelho”, conta. Mas não qualquer um. “O aparelho tinha uma espécie de garfo no céu da boca, que machucava o dedo se ela tentasse chupar.” Foram necessários oito meses para que Helena desistisse do polegar. E se livrasse do “garfo”. Belmira, por sua vez, livrou-se da antipatia por chupeta. “Quando Beatriz, hoje com quatro anos, nasceu, fui logo oferecendo”, conta. “Mas ela não pegou”, diz Bel. “Acho que não insisti o bastante.”
A psicóloga Carla Andrade Leal, 35, nem precisou insistir. Começou a campanha tão cedo, que o primogênito Guilherme já saiu da maternidade de chupeta no bico. “Por mais que falem mal, é um consolo indispensável. Foi assim tanto para ele, quanto para mim. Especialmente quando precisei voltar a trabalhar”, confessa Carla.
Em caso, aliás, casa de mãe trabalhadora como ela, explica a psicóloga Danielle Diniz, chupeta é objeto transicional. “Ela acalenta o bebê quando a mãe não está por perto. Ocupa, de certa forma, o lugar dela”, diz. Não sacia a fome, mas resolve a necessidade de sugar por prazer, típica do que Freud batizou de fase oral, quando desejos são supridos só pela boca.
Hoje Guilherme tem dois anos e uma meia dúzia de “petas”. “Não me preocupo com isso. Ele só usa para dormir, tem dentição e dicção perfeitas. Daqui a pouco, com a ajuda da escola, tiro”, diz Carla. Diante da encruzilhada da chupeta, ela conta que optou pelo caminho empírico. O mesmo que sua sogra, Teresa Cristina Bandeira Leal, 60, trilhou há mais de três décadas. “Quando nasceu minha primeira filha, Maria Dulce, nem pensei duas vezes: ofereci. À segunda, Ana Helena, também”, recorda Teresa. Mas quando chegou o caçula, Luís, ela decidiu reduzir o arsenal de coisinhas indispensáveis e riscou a chupeta do enxoval. “Pra quê? Me arrependo até hoje. Luís foi, dos três, o que mais deu trabalho. Não parava de chorar.” E, por uma ironia qualquer do destino, foi justamente ele o único da família que precisou usar aparelho, conta Teresa, hoje árdua defensora da chupeta.
A advogada Maria Coutinho, 32, é outra. Sempre foi. Mãe de Marina, 2 anos, e Felipe, 1 mês, ela nunca deixou de dar chupeta aos rebentos. Nem de amamentar. “Não atrapalhou. Pelo contrário. Ela evita que o bebê encha muito a barriga e fique agoniado, gofando”, opina Maria, que libera geral o uso da chupeta em casa. “Dou a qualquer hora, sempre que eles pedem.” E como pedem. Marina usa logo duas por vez: “uma para chupar e outra para cheirar”, diverte-se a mãe. Sabe-se lá até quando. “Ainda não sei quando vou tirar”, diz Maria.
Mas é bom que seja logo. Segundo a odontopediatra Ivana Severo, na cadeira do dentista, não há espaço para polêmica: chupeta faz mal e pronto. “Pode causar vários problemas, como mordida aberta, mordida cruzada”, avisa. Mas só a partir do terceiro ano de vida da criança. “Todo prejuízo que a chupeta causar até lá é absolutamente reversível. Basta entregá-la ao Papai Noel e tudo volta ao normal”, brinca.
Ou, como fez a também dentista Karina Castelão, 32, jogar do viaduto para “o gatinho”. Mãe de Júlia, 4 anos, ela aboliu a chupeta da rotina da filha quando a menina tinha dois anos. “O problema da chupeta é o exagero. Com bom senso, ela não atrapalha”, diz Karina, que já reabasteceu o estoque da casa para o recém-nascido Mateus. “Contra a cólica, não há remédio melhor”, brinca. Já Mateus, leva bem a sério. De plástico ou da mamãe, bico é com ele mesmo.
Jornal do Comércio - Pernambuco - 03/05/2009
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