quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O desfralde - a saga

Antes de mais nada quero alertar aos leitores de passagem que você não vai encontrar aqui uma receita fácil, uma solução milagrosa ou conselhos de especialista: há váriso sites e blogs onde você pode encontrar isso. Aqui você verá apenas um relato. Ou dois.

Esse é um daqueles tópicos que ninguém te fala antes de você decidir ser mãe. Bebês ideais, do tipo que a gente pensa quando ainda é solteira, são tão lindos e fofos que a gente nem imagina que eles fazem cocô. Mesmo depois que decidimos ser mães e engravidamos, apesar de desconfiar que teremos de lidar com algumas fraldas sujas, os comerciais de fraldas na TV passam uma atmosfera de alegria, limpeza, felicidade, com mães sorridentes e bebês que quase dá pra gente sentir o perfume. Ninguém mostra uma mãe cheia de olheiras tendo que acordar no meio da noite e sair tateando em busca de um lenço umidecido - ou pior, algodão e água morna! Há! Eu tb caí nessa -, ninguém mostra uma pobre mãe tendo que parar seu almoço porque um bebê de andar suspeito pára na sua frente, lhe encara nos olhos e diz: "Totô!"

E aí, depois que você descobre a verdade sobre fraldas e cocôs, descobre também que familiares e amigos são grandes especialistas no assunto (porque não lhe disseram isso antes?), cada um com seu pitaco dito com ares de verdade científica, do alto de uma sabedoria que deixa você mais rasa que o chão. Comigo começou com minha mãe contando lindas histórias de como começou a nos desfraldar - eu e minhas duas irmãs - aos 4 meses de idade. Sim, cara leitora, é isso mesmo que você leu. Lembre-se que na época da minha pobre maezinha não havia fraldas descartáveis nessa oferta e preço diversos de hoje. Era fralda de pano, que depois de suja se juntava num baldinhocom água e sabão em pó pra o cocô não endurecer, e no outro dia, passava-se a manhã inteira lavando e pendurando bandeirolas no varal. Por isso ela comprou um super piniquinho com assento, encosto e um pauzinho passando entre os braços do trono, que "prendia" o bebê bem seguro ali. Aos quatro meses, logo que ficávamos mais durinhas, ela sentava a gente ali e deixava algum tempo para a ação da gravidade começar a fazer efeito. À medida que crescíamos ela deixava masi e mais tempo, e segundo ela, todas nós, por volta de 1 ano, assim que aprendíamos a andar, já íamos sozinhas até o penico, abríamos a tampa, descarregávamos a mercadoria lá, fechávamos a tampa e saíamos felizes e serelepes. Ela disse que às vezes só ía ver o que tínhamos feito - xixi ou cocô, horas depois, quando senti um aroma diferente no ar.

Depois de ouvir histórias como essas, eu achei que tudo seria muito fácil!Em um ano eu estaria livre de fraldas, creminhos, lenços garrafas térmicas e o escambau. Ha, ha! Aos seis meses meu filho mais velho ganhou um troninho de presente - da avó. Troninho lindo, da turma da mônica, escolhido entre muitos por ser o modelo mais próximo daquele super penico com que a vovó nos desfraldou. Sempre que eu tentava sentar Vinícius ali, a partir dos seis meses, era um festival de choro e ranger de dentes. Ele não gostava mesmo, e fazia questão de deixar isso claro. Tentei, tentei, mas o máximo que consegui foi fazê-lo colocar ali meio cocô (a outra metade ficou pelo chão), certo dia que percebi que a coisa ía saí e corri desesperada pela casa, arrancando a fralda dele e jogando pra cima, até chegar ao bendito troninho. Foi o suficiente pra eu perceber que essa estratégia não iria dar certo. Resolvi dar um tempo. Li, pesquisei, e vi que há (como em tudo na pediatria) diferentes linahs de pensamento. Os extremos: uam estimula a fazer o desfralde precoce, desde o nascimento, ensinando o bebê a demosntrar através de sons que está com vontade de fazer suas necessidades, e assim avisando a mãe para sentá-lo no penico. Dá certo! Uma amiga fez! Mas outra linha de pediatria diz que o desfralde precoce pode gerar problemas futuros, pois a criança pode ficar confusa e voltar, bem mais tarde, a perder o controle dos esfíncteres (tradução: fazer xixi e cocô nas calças), o que obrigaria a um novo desfralde mais complicado. Falam também da possibilidade da criança desenvolver prisão de ventre e uma personalidade obsessiva por controle. Como disse, são opiniões, os dois lados dão suas justificativas. Pelo sim pelo não, resolvi esperar. Principalmente porque já me sentia casada demais com as tarefas normais da maternidade e não queria adicionar-me mais uma responsabilidade naquele momento.

Perto de um ano, voltei a tentar. Nada. Um ano e meio? Nem pensar. Dois anos tá bom,né? Necas. Comprei pinicos diferentes. Um em forma de carrinho. Outro redondo, tradicional. Tentei redutor sanitário. Vinícius continuava irredutível. A essa altura minha mãe - e mais um séquito de sábios pela família, ruas, restaurantes e qualquer outro lugar de convívio social - já questionava minhas habilidades como mãe (soa familiar?), contando histórias de meninos de dez anos que usavam fraldas geriátricas porque a mãe não desfraldou no tempo certo. É assim: para cada fase da maternidade há uma história de terror para ser contada para as mães, bem terríveis mesmo, a ponto de fazê-las sentir muito culpadas, ansiosas, fracassadas e infelizes. É cultural passar essas histórias adiante, e mesmo as mães que sofreram com elas, se sentem na obrigação de continuar a corrente do mal. Eu não aguentava mais essas histórias, os pitacos, as receitas, os absurdos que tive que ouvir. Certa sábia me orientou a fazer como ela fez ao dela: "Ele estava resistindo tanto que prendia o cocô e passava dias sem fazer. Um dia eu dei uma surra nele, tranquei ele no banheiro e disse: vocêsó sai daí quando fizer! Foi um santo remédio! Depois de um hora batendo na porta e chorando ele fez tudinhono vaso e nunca mais se recusou a fazer.", terminou, orgulhosa. A que ponto chegam as pessoas para resolverem os seus problemas, não?

Analisemos. O desfralde, nesse caso horrendo e em tantos outros, é encarado como um problema:
1 - Da mãe - que não aguenta mais perder tempo limpando bumbum.
2 - Financeiro - o pai reclama dos gastos com fraldas e acessórios de limpeza.
3 - Social - a necessidade de exibir um filho maduro e independente para as pessoas elogiarem suas habilidades maternas.
Mas se não formos tão egóistas veremos que o desfralde é, primeiramente, um problema DO BEBÊ. Então, reordenando, o desfralde deve ser encarado como um problema:
1 - Do bebê
2 - Do bebê
3 - Do bebê
4 - O resto.
Isso significa que todo o processo deve ser focado na criança, nas suas demonstrações de que a hora chegou (VEJA AQUI ALGUNS SINAIS), e não na pressão social, financeira e pessoal. Também deve-se compreender que o tempo de cada criança é único para qualquer aprendizado, inclusive para o desfralde. Seu filho não tem que ser igual a ao filho de fulaninha nenhuma. Nem é menos inteligente ou desenvolvido porque é o último dos amiguinhos a desfraldar. Lembre que além do aprendizado cognitivo, aquele em que a criança entende o que está acontecendo, há os limites biológicos, o amadurecimento de órgãos que dependem do cérebro da criança e não necessariamente de sua vontade, muito menos da vontade alheia.

Depois que compreendi isso, resolvi prestar mais atenção no meu filho e menos nas pessoas ao meu redor (inclusive nos bebezinhos dos outros). Lembre-se que muitas coisas que para n´so parecem óbvias, para eles são um grande desafio pois nunca passaram por isso antes. Imagine: seu bebê nasceu e no minuto seguinte já estava de fraldas. Cresceu como se aquilo fosse parte do corpo dele. Entendeu que podia produzir cocô, sentir prazer segurando o cocô, e achou muito legal a possibilidade de fazer algo por ele mesmo, saído dele, que lhe pertence e sobre o qual pode ter um poder que os pais não têm, por que teria de jogar a obra-prima fora? (Esse argumento é sério! FREUD REALMENTE EXPLICA). Alguns bebês, acham o seu cocô algo tão fantástico e legal que às vezes pegam-no e dão de presente para a mãe como se estivessem dando a rosa mais linda do jardim que cultivaram. Os meus passaram pela fase apreciação do cocô, tirando-o de dentro da fralda para compor obras de arte nas paredes, lençóis e... (Custo confessar!) no rosto. Fora isso tem também o medo da privada. Sentar num buraco, para quem não está acostumado, pode ser uma sensação muito desagradável de instabilidade e insegurança. Muito orientais nem usam esse nosso sistema sanitário por considerá-lo pouco higiênico e contrário às leis naturais, preferindo utilizar privadas onde se fica de cócoras. Por que seu bebê tem que achar tudo lindo e normal? Não bastasse, ainda é comprovado que meninos demoram mais a desfraldar que meninas.

Pa-ci-ên-cia é a regra de ouro aqui. O processo pode ser até rápido, mas não espere por isso. Pode até parecer fácil, mas na mente da criança é um processo bem complexo. E qualquer trauma aqui pode repercutir por toda a vida.

"Onde ocorreu a fixação anal (neurose anal) , mesmo que as próprias fezes não possam ser acumuladas indefinidamente, o indivíduo acumulará o que de valor puder adquirir, entesourando, sem contudo atingir o seu uso apropriado. Vejamos alguns casos de neurose anal: o caso do avaro que junta dinheiro, o colecionador que compra quadros valiosos, e não os exibe, e nem mesmo os olha; dos indivíduos obsessivos, que insistem longo tempo e improdutivamente em tarefas não completadas; pontualidade exagerada; tendência ao uso de roupa íntima suja; sede de poder; prazer na descarga de uma linguagem chula.
As crianças que foram obrigadas a defecar por meio de ordens, quando adultas apresentam acentuada tendência a terem seus problemas solucionados por outras e tendem a realização de várias atividades simultaneamente." (FONTE)

O PROCESSO

Depois que Vinícius começou a dar alguns sinais do desfralde, por volta de 2 anos e meio, resolvemos tentar mais uma vez. É aquilo mesmo que você já leu por aí: comprar muitas cuecas, deixar um balde com detergente a postos porque é muito xixi pela casa, elogiar bastante quando ele conseguir avisar a tempo.

Ele ainda se recusava a sentar no vaso quanto tinha vontade. Como já estava grandinho, não queria mais penico nem redutor, queria fazer como "gente grande". Até fazia o xixi, mas o cocô, de jeito nenhum. Temos um filminho que fizemos nessa época registrando toda a angúsita dele. Obviamente é para arquivo pessoal, mas revendo dá pra ver como aquilo angustiava ele. Ele começava a andar pela casa toda, às vezes, andava em círculos, e quando estava com um tensão muito grande, chorava e sentava no chão, se recusando a ir para o vaso. Tentavamos conversar, ajudar, argumentar, mas nada adiantava. Ele pedia a fralda para fazer nela. E quando começamos a recusar fazer isso, ele prendia o cocô por dias e dias, o que tornava tudo muito pior.

A esta altura eu estava grávida de oito meses de gestação, e já me imaginava tendo que trocar fraldas duplamente. Um dia lembrei de um kit que tinha recebido como brinde da Pampers. Eram duas fraldas "de treinamento", com elástico ao lado, portanto pode ser retirada e colocada pela própria criança, e com uma cartela de adesivos. Resolvi ler as instruções e utilizar aquele recursos pois afinal nãore stava masi muitas alternativas. A fralda é assim: tem estrelinhas na frente, e cada vez que a criança faz xixi uma estrelinha some... o jogo é tentar fazer as estrelinhas não sumirem. Achei legalzinho, mas ainda preferi encarar a cueca com bichinho desenhado na frente "O leão não quer ficar molhado!". O que nossalvou mesmo foi a cartela de adesivos. Eram adesivos do Diego Aventureiro: eu comprei DVDs do desenho para estimulá-lo a se envolver com a brincadeira. Cada vez que ele fizesse cocô, colaria um adesivo do Diego na cartela que ficava ao lado do vaso (tinha cerca de 30 quadradinhos). Parece uma idéia boba mas deu SUPER CERTO. Ele ainda relutou um pouco no início, mas depois se empolgou em querer colar os adesivos. E antes que terminasse a cartela, ele já estava desfraldado por completo. A coisa deu tão certo que mesmo depois que ele desfraldou eu continuei utilizando or esucrso dos adesivos com incentivo para ele juntar os brinquedos, tomar banho, não fazer birra na hora de comer, etc.

O bom é que, depois que comecei com os adesivos foi só uma ou duas semanas para Vinícius desfraldar. Ele já estava preparado, só faltava encontrar o melhor método. Isso aconteceu quando ele tinha 2 anos e 7 meses. Antes do irmaizinho nascer. Ainda teve quem me dissesse que ele voltaria a fazer tudo depois que o irmão chegasse em casa. Nada disso. Ele ainda fez duas ou três vezes xixi e duas vezes cocô, mas porque ficou doente. Depois disso, nunca mais, aleuluia, amém.

SEGUNDA VIAGEM

Agora me chega Rafael, com 1 ano e 6 meses e começa a dar sinais de desfralde. Como o primeiro demorou muito, eu nem estava esperando. Nem tentei colocá-lo em pinico, nem tentei pôr cuecas, resolvi simplesmente esperar desta vez. Mas ele me surpreendeu: começou tirando as fraldas, por ele mesmo, como se estivesse incomodado, mesmo quando elas estavam limpas. Depois começou a demonstrar bastante incômodo quando elas estava sujas, e passou a avisar depois que faz cocô (algumas vezes o xixi também). Não bastasse, começou a pedir para sentar no vaso como o irmão, e quer que eu o limpe com a ducha higiênica, como faço com Vinícius.

Ainda estou achando muito cedo, talvez pela experiência anterior, mas também não quero ignorar os sinais dele. Então estou prestes a começar tudo de novo: cuecas, baldes, panos, detergente. Mas quero começar pra valer só no próximo ano, porque neste final de ano viajamos muito e isso complica bastante o processo. Depois que começamso é fundamental ir em frente, não ficar "dando pausas", pois isso pode deixar a criança confusa e piorar o processo. Por enquanto estou incentivando ele a sentar no redutor sanitário (gostei muito da experiência de não ter que lavar penicos), pois ele também tinha medo a princípio, e agora, mesmo indo, ainda fica pouco tempo e desconfiado. Brinco com ele de fazer xixi no vaso, mas ele nunca faz de verdade, só faz o barulhinho (xxiiiiiii) e depois pede para sair. Mostro como o irmão faz (com irmão parece que tudo fica mais fácil, posi é natural a criança masi nova querer imitar a mais velha em tudo). Quando faz cocô nas fraldas eu jogo dentro do vaso para mostrar que lá é o lugar. Ou seja, por enquanto estamos só na educação cognitiva. Vou também comprar uns dois livrinhos sobre o assunto pra ler com ele. Veja alguns títulos:

Cocô no Trono (Charlat, Benoit)

Para aqueles que estão tentando trocar a fralda pelo trono, para os pais solidários e para os todos os interessados no assunto, um livro-brinquedo, em formato grande, com páginas reforçadas, bem coloridas e com um botão que, quando acionado, detona a maravilhosa descarga.

O que Tem Dentro da Sua Fralda? (Genechten, Guido Van)
Ratinho é muito curioso. Ele gosta de descobrir como tudo é por dentro. Nada escapa de Ratinho, nem mesmo as fraldas de seus amigos. Coelho, Cabrita, Cachorrinho, Bezerro, Potrinho e Porquinho, todos mostram suas fraldas. Então, claro, eles também querem ver a fralda de Ratinho. Uma grande surpresa os espera. Um divertido livro com abas sobre a grande curiosidade de um pequeno rato e sobre a passagem para o penico…

A Incrível Fábrica de Cocô, Xixi e Pum (Mesquita, Fátima)
Como é que aquela deliciosa pizza e aquela limonada geladinha que você saboreou com tanto prazer se transformam em…eca!…cocô e xixi? Você vai entrar agora na “A Incrível Fábrica de Cocô, Xixi e Pum” para descobrir como tudo isso é produzido dentro do seu corpo. Conheça os “trabalhadores” que estão aí dentro separando do alimento tudo o que dá energia para fazer você correr, pentear o cabelo, jogar videogame e dar sustos nos outros. Já o resto da comida… bem, sobre isso é melhor você ler o livro para saber.

Que Cheiro É Esse? – o Livro do Cocô (Goldsack, Gaby)
Um livro magnífico, com ilustrações engraçadas, que traz uma interessante perspectiva sobre um tema natural, mas cheio de preconceitos: o COCÔ! De forma simpática e sem rodeios, as crianças aprenderão sobre esta importante necessidade de todos os animais.

(FONTE)

A educação corporal para o desfralde eu vou começar para valer no próximo ano, e creio que antes dele começar a frentar o maternal já estará desfraldo. Se não estiver, a escola também é uma grande auxiliadora nesse processo (com Vinícius também foi fundamental, pois elas me passava segurança e me ajudavam fazendo com ele lá o que eu fazia em casa).

Desejo a todas que estão passando por esse processo, muita calma e a percepção de que poder ensinar essa etapa ao seu filho é um grande privilégio e uma fonte de alegrias conjuntas.

Em breve venho contar as novidades...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O desmame - parte final

Sábado agora que passou fez um mês que fiz o teste do desmame com Rafael e... sim, ele desmamou! Antes disso já fazia um mês que ele foi diminuindo bastante a demanda pelo peito até não pedir mais.

Foi difícil!

Difícil porque por muitas vezes me senti tentada a dar o peito. Não só pela praticidade de resolver suas pequenas birras, choros e afins de uma maneira instantânea. Mas também por sentir saudade. Por muitas vezes ainda me questionei se era mesmo o momento certo. Mas meu corpo me respondia que sim. Logo na primeira semana sem ele pedir peito, o leite secou totalmente.

No começo ele ainda acordava de madrugada, sentava no berço e resmungava, como que por hábito, afinal fez isso desde que nasceu. Mas numa bela manhã eu descobri que, pela primeira vez desde que o pari, havia dormido uma noite in-tei-ri-nha. Isso soa mais delicioso que uma barra de chocolate para uma mulher em TPM kkkkkk Meu sono acumulado era tanto que nem conseguia curtir. Quanto mais dormia, mais sono sentia. Era o meu organismo se readaptando à nova rotina noturna também. NUNCA em nenhum momento do processo deixei ele chorar sozinho. Nas primeiras vezes, quando seu choro era forte, eu o tomava nos braços e o ninava até ele adormecer, mesmo morrendo de sono, mesmo querendo morrer e cair ali mesmo pra não ter que acordar mais. Quando o choro virou só resmungo, eu ainda acordava e cantava para ele, como descrevi no post passado. O maldito do Ferber (que criou o método do livro Nana Nenê) não diz às mães que é possível passar por esse processo de aprendizado recíproco, que é o desmame e o "dormir sozinho", sem ter que ser cruel e desamparar o bebê chorando sozinho. Sinceramente? Nunca fui afeita a métodos pra deixar meus filhos mais "independentes". Sou a típica mãe latino-americana colada nos filhos, com muito orgulho. Acho que a independência e autonomia são características que se desenvolvem naturalmente quando a criança se sente segura, e a melhor forma de tornar uma criança segura é amando-a e demosntrando esse amor de forma inequívoca. Não estou falando de mimar ou superproteger. Estou falando de amar estando por perto quando ela precisar, amparando, cuidando quantas vezes e como for preciso.

Bem, foi assim, bem gradualmente que chegamos ao dia do teste. Já fazia um mês desde o dia em que ele não tinha pedido peito o dia inteiro (isso foi em Julho). Durante esse tempo evitei sentar ou deitar com ele nos lugares onde normalmente dava de mamar. Mudei a forma como o punha para dormir (agora era o pai que o fazia balançando com ele na rede). Inventei mil atividades para desviar a atenção dele do peito. Introduzi mais sucos, frutas e líquidos em sua dieta. Oh, eu confesso: ofereci chupeta, mas ele não quis mesmo. Então.. o teste!

Era sábado e havíamos chegado da igreja. Ele havia dormido no caminho para casa e ao acordar ficou bem abusadinho. Choramingando, querendo colo. Decidi que era hora. Pedi ao meu marido para tirar a foto. E o coloquei pela última vez ao seio. Ai, meus olhos se enchem de lágrimas ao relembrar. Ele tomou o seio desajeitamente, parece que já não sabia sugar do mesmo jeito. Mas sugou. Uns 30 segundos. Soltou, voltou a sugar, soltou. E disse: "Cabô peito!".

Então tá. Cabô!

Mas pra não chorar eu prefiro terminar esse post dizendo que começou. Começou uma nova fase. E nós vamos continuar juntos nessa e em todas as fases que vierem enquanto eu viver.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O desmame

Sim, o título bem poderia ser nome de um filme ou romance, quiçá, uma novela do SBT. Estou devendo um posto sobre o desmame de RAfael a Lucy e Danielle, duas queridas leitoras que me pediram, já há bastantetempo, para atualizá-las do processo. Achoaté que elas já desmamaram os seus bebês e eu ainda não.

No post de Abril deste ano eu, de fato, estava decidida a começar o desmame pelos motivos já expostos. Basicamente, aquela sensação de cansaço extremo e a consciência de que já dei minha contribuição para a saúde física, mental e emocional do bebê tempo o suficiente - agora PRECISO dormir. Desde então tenho vivido uma saga digna de Hollywood, em busca da teta perdida, kkkkkk

Sim, perdida porque para o bebê as suas tetas são na verdade DELE. Isso é bem fácil de identificar quando eles começam a falar. Rafinha, que tem um vocabulário bem amplo para os seus 1 ano e 4 meses, encarava meus peitos , segura firme e dizia com convicção: "É minha! É minha!", e chora e se desespera como se estivessem lhe tirando algo que lhe pertence tanto quanto o próprio corpo. Essa noção de identidade separada da mãe passa pelo desmame também. Chega uma hora - mãe e criança, ninguém mais, devem entrar num acordo quando a melhor hora - que o filho precisa entender que a mãe não pode estar ao seus dispor o tempo todo, que ela não é parte do corpo dele como um membro submisso, mas que tem uma identidade separada, e os limites do corpo precisam ser respeitados. É a primeira lição sobre respeito ao próprio corpo que a mãe vai dar.

Com meu primeiro filho foi tudo mais fácil. Ele usava mamadeira e chupeta à época do desmame, e fez a transição tão suavemente, por si só, que quando desmamou aos 1 ano e 2 meses, eu fiquei meio deprimida, sentindo falta, chorando e querendo que ele mamasse um pouquinho mais. Já com Rafael foi bem diferente. Ele nunca gostou de chupeta nem mamadeira. Toda a demanda do sugar era para meus peitos. Passada a necessidade alimentar - hoje ele come de tudo e super bem - , eu virei uma chupeta humana, e isso começou a me incomodar. As solicitações noturnas eram as piores. Ainda sentia prazer em amamentar, mas a sensação de incômodo começou a crescer e pesar mais na balança. Algumas vezes eu simplesmente não conseguia permanecer mais tanto tempo com o peito na boca dele, e o tirava agoniada. Aí era aquele berreiro. Quando decidi pelo desmame decidi pelo nosso bem estar conjunto. Tenho sempre em mente que para meu bebê ficar bem eu preciso estar bem também. Sacrifícios e concessões são constantes na vida materna, mas é preciso conhecer e respeitar o próprio limite. Ultrapassado esse limite corre-se o risco de repassar à criança toda a carga extra de estresse e infelicidade que se possa sentir.

Pois bem, estou aqui porque hoje foi o primeiro dia que Rafael não mamou desde que nasceu.
E ao contrário do aconteceu com Vinícius, no momento eu me sinto aliviada e feliz. O Desmame ainda não está completo, mas acho que demos um grande passo hoje. Quase quatro meses de luta, e por fim, uma luz no fim do túnel.

Os conselhos que posso dar são:

1- Paciência. Não faça do desmame um ringue de luta. Você e o bebê não são iguais, ele estará sempre em desvantagem. Tente encarar o processo como um curso, "curso de desmame", algo gradual como um curso profissionalizante, hehehe. Nesse curso você ensinará a seu filhote que existem coisas mais interessantes no mundo que o peitinho da mamãe. Que existem outras formas de receber aconchego, carinho e amor. É natural que a própria criança perceba isso à medida que cresce, mas cada uma tem seu tempo. Não force nem amoleça demais. Talvez seja preciso voltar atrás algumas vezes. Comigo foram várias, toda vez que ele gripava, ficava sem querer comer, e nessa idade eles gripam MUITO, pois o sistema imunológico está se adaptando ao mundo e ao contato social. Aí ía tudo por água abaixo, pois o peito aliviava os incômodos da gripe, servia de algum alimento também... enfim... eu tinha pena do bichinho. Mas saiba ir adiante também. Melhorou de saúde? Vamos recomeçar o processo. Algumas mães usam o lema "Não negue nem ofereça". Eu aqui tive que negar mesmo, algumas vezes, porque meu filho é MUITO mamão. Mas negue com carinho... abrace-o, console-o e corra pra mostrar outras coisas interessantes que ele pode fazer. Nunca o deixe com sensação de estar sendo rejeitado, permaceça junto sempre. E se não puder estar junto, deixe-o a cargo do papai ou outra pessoa que o ame de verdade, mas sempre que puder esteja por perto.

2 - Se o seu filho mama dormindo, tente a técnica da "remoção gentil". Nunca entendi aquela recomendação de "não deixar os filhos dormirem no peito mamando". Como assim? Isso nunca funcionou aqui. O peito relaxava e induzia ao sono, e tudo que uma mãe cansada quer é que o filho durma. Se eu tirasse o peito antes deles dormirem era show de gritos e começava tuuuudo de novo (Ai!). Resultado, eles só dormiam mamando. A técnica da remoção gentil ensina justamente como desfazer esse hábito. Não consegui usar a técnica de madrugada, porque não aguentava ficar acordada para fazer todo o processo todos os dias, por várias vezes na madrugada. Mas foi essa técnica que ensinou Rafinha que é possível pegar no sono sem sugar, e isso é importantíssimo: que a criança descubra outros mecanismos para relaxar e pegar no sono. Isso leva ao próximo passo

3 - Encontre algo que faça seu filho relaxar. Pode ser um objeto de transição. Podem ser tapinhas leves no bumbum. Pode ser o embalo de uma rede ou uma cadeira de balanço. Aqui em casa foi a música. Já com 4 meses Rafael cantava quando estava com sono. Desde que estava na barriga me ouvia cantando canções de ninar. E eu canto para ele dormir todos os dias, todas as vezes que ele dorme. Então embaá-lo ao som de uma canção é a única coisa capaz de fazê-lo dormir fora o peito. MEsmo de madrugada, quando acorda atordoado atrás do peito, meio que por reflexo mesmo, eu tenho cantado (mais resmungado que cantado, mas eu tento), e ele para de chorar rapidinho, deita, começa a cantar também (um resmungadinho melódico também) e dorme em seguida. Tem dias que não funciona, tem dias que NADA funciona, toda mãe já viveu dias assim. Mas encontre algo que funcione na maioia das vezes.

4- Lucy falou algo sobre "treinar" os bebês. Morremos de medo da conotação behaviorista que essa palavra carrega, o que nos faz lembrar cientistas malvados e frios fazendo experiências terríveis com inocentes animaizinhos ou seres humanos, kkkkkkkk Eu abomino o método do"Nana nenê", então qualquer coisa que me lembrasse deixar o bebê chorando me fazia sentir calafrios. Mas uma coisa que a sala de aula me ensinou, é que toda educação é em certa medida behaviorista. Ou seja, existem muitas formas de fazer as crianças aprenderem, mas o velho Estímulo - Resposta ainda é bastante eficiente e elas aprendem bastante por esse meio também. Então não fique tão insegura e com medo. Às vezes você vai ter que ser firme e ver seu bebê chorar sem dar o que ele quer. E isso não significa abandoná-lo chorando como prega o método do Dr. Ferber. Você poderá continuar a lhe dar amor, atenção, carinho. Mas não o peito. E ele vai odiar isso, protestar e se sentir muito frustrado. Como mães sofremos em ver nossos filhos assim. Mas somos nós quem os preparamos para enfrentar um mundo onde eles nem sempre terão o que querem, e precisarão ser frustrados para seu próprio bem. Somos nós as primeiras pessoas a lhes ensinar a superar a frustração e seguir em frente, algo que alguns adultos desajustados não conseguem fazer e sofrem imensamente mais por isso. A proteção que nossos filhos precisam não é serem protegidos da dor e da frustração, mas saberem que durante os momentos difíceis estamos por perto e eles podem contar conosco.

Quando o desmame estiver completo venho aqui novamente. Conheço este momento em que estou,e sei que agora não vai demorar muito mais. Vou tirar mutias fotos e fazer vídeos para guardar de lembrança, pois a amamentação é algo maravilhoso demais, que toda mulher deveria experimentar, pois é uma sensação única de alegria, prazer e felicidade, algo que Deus nos deu, somente a nós, mães, o privilégio de sentir. E embora seja bem mais difícil do que parece nas campanhas do Ministério da Saúde, posso, como mãe, assegurá-las, que amamentar é o maior presente que uma mãe pode dar ao seu filho, e que passado o primeiro mês de ajustamentos e adaptações, amamentar será um momento sagrado e esperado, de troca afetiva e restauração entre mãe e bebe. Um momento que nos faz sorrir e se alimentar também, alimentar a alma para a luta materna. Vale a pena demais amamentar. E quando chegar o momento de acabar... que seja também um momento para se lembrar com saudade.

Até mais!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dias das mães

Este post vem a propósito do dia das mães, que se aproxima. Confesso que sou uma daquelas pamonhas que se derretem nas apresentações bregas e repetitivas dos colégios, e chora horrores só porque vê o filho com uma flor de crepom na mão, cantando uma música romântica que normalmente eu jamais ligaria o rádio para ouvir. Ah, mas sou besta mesmo. Choro, tiro foto, pago lembrancinha (mesmo que ela vá direto para a gaveta de inutilidades). Comerciais de dia das mães, então? CHORO também. Curto, paro tudo pra ver, aumento o volume. Mesmo assim, como a maioria das mulheres, tenho que amargar um silêncio de não-reconhecimento em todas as outras semanas do ano que não estão em torno do segundo domingo de Maio.

Hoje a sociedade continua cobrando da mulher a função da matenidade, tal como fazia há quatro mil anos atrás. A mulher TEM QUE procriar. Do contrário é considerada uma pobre infeliz, uma coitada, "ela não pode ter filhos" é uma sentença de dó como se se falasse de um doente terminal. Se a mulher deseja NÃO ter filhos, é considerada uma criatura sem sentimento ou sem competência, até sua sexualidade é questionada. É uma aberração.

No entanto, essa cobrança pós-moderna tem requintes de crueldade. Logo que a mulher atende à expectativa e engravida começam as histórias de terror: "Agora você vai ver o que é bom... prepare-se para sofrer!". Há um sadismo coletivo em aterrorizar gestantes que eu nunca consegui entender. Mas existem centenas de histórias de terror prontas para serem contadas em cada fase da gravidez, que vão desde os mais bzarros casos de aborto, até a visão de um pós-parto infernal e de um resto de vida digno de solitária de peninteciária. Se você consegue ter seu filho em paz e pelas vias que deseja sem que alguém lhe empurre a necessidade de ser estripada viva só porque sua vagina pode perder o tônus sexual, aí ainda tem que enfrentar as críticas de amamentar seu filho, afinal, diz o mito dos algozes que seus peitos vão ficar "como os das índias, caidinhos, caidinhos, aí só Dr. Ray, meu bem".

Para ser a mãe perfeita a mulher tem que ter dois filhos, de preferência um casal. Se tiver dez meninos alguém sempre vai perguntar: "E não vai tentar a menina não?". Não pode estar plenamente realizada com mãe de meninos? "Ah, porque uma menina vai te ajudar, menino a gente cria pra o mundo". Argumentos machistas assim ainda são ditos com força de lei. O primogenito é um menino? Nossa, você é uma mulher de sorte! "Fez menino logo de primeira? Parabéns!". A menina seria então o lixo genético? Em todo caso, para ser perefita, a mãe tem que ter dois. Se tiver só um, é uma desnaturada, vai criar o filho sozinho, sem ninguém pra brincar, vai estragar a criança. Se tiver três... pega e interna!! Onde já se viu, num mundo desses, com todos os métodos anti-concepcionais de que dispomos, uma mulher ter três filhos? Quatro??? O quê? Na sua casa não tem televisão não, minha filha? Ter família grande só em filme de comédia, né? E seguem lá as mulheres oprimidas até na sua decisão íntima e pessoal de quantos filhos desejam ter. Umas obrigadas a se contentarem com dois, mesmo ficando frustradas por não se sentirem no direito de terem mais. Outras parindo e jogando fora só para dar uma satisfação a essa sociedade. E ao dizer "jogar fora" não me refiro às mulheres doentes que abandonam seus filhos bebês no lixo, nas matas, nos rios. Falo de mulheres que não gostam de crianças, ou não gostam do ofício de educar, ou não sentem prazer na maternidade mas tiveram filhos só para compor a família social aceitável, e então jogam seus filhos aos cuidados de escolas e babás em tempo total (educação integral é outra coisa bem diferente de negligência), manhã, tarde, noite, fim-de-semana. Eu que já trabalhei em escola já vi muito filho ser literalmente esquecido pelos pais, e tem escola que tem que ligar ameaçando ir deixar o filho na delegacia para os pais irem pegar. Pais que pagam "a melhor educação que o dinheiro pode comprar", mas não sabem qual a primeira palavra que o filho falou nem qual sua brincadeira favorita ("Ah, só pode ser video-game, né? É só o que ele faz!" É só o que ele pode fazer sozinho). Poderiam apenas não ter sido mães e pais, mas foi-lhes negado esse direito.

A maioria das mães, no entanto, é a melhor mãe do mundo. Vive e morre pelos filhos. E se possível mata também. Muitas vezes não tem escolha, tem que ficar longe dos filhos para trabalhar e ajudar a sustentar a família - ou sustentar sozinha mesmo. Sofre com uma saudade crônica que não acaba nunca, se martiriza com um sentimento de culpa que não dá trégua, daria três mindinhos para ficar mais cinco minutinhos cheirando aquela cabecinha linda antes de ir trabalhar. Curte cada momento que pode ao lado dos filhos, mesmo que seja ao chegar do trabalho e vê-los dormindo, sentindo uma dor aguda entre o peito e a garganta. Quando não trabalha, vive de arrumar o que fazer com os filhos. Ama brincar com eles. Mas às vezes se irrita, enche o saco e tem vontade de sair correndo pra um SPA, pra passar uma semana lá. Mas no minuto seguinte já está arrependida de ter pensado isso. Sai como marido num programa romtântico e liga o tempo todo pra casa para saber como os filhos estão. Se não liga, pensa. Mãe é assim mesmo, depois que liga o botazinho "maternidade", não tem botão de desligar essa função, só quando dá o "off" geral.

Mas a mesma sociedade que cobra a maternidade, não a reconhece. É como se isso não fosse mais que a obrigação das mulheres, sim, é mãe, e daí? Hoje existem tantas facilidades para quem quer ser mãe sem esforço! Mas as que se esforçam - e, meu Deus, haja força - não parecem ter direito a um elogio. Pelo contrário, recebem milhões de pitacos criticando desde a sua forma de alimentar até o modo como limpa as orelhas do filho. Tem sempre alguém questionando as mães, na família, nos supermercados, no meio da rua, na fila do banco. Tem sempre um miserável para apontar o erro, mas se esquivar de ajudar. É por isso que mãe é mãe, e isso mesmo é nossa paga. Temos o privilégio de saber "a dor e a delícia" de sermos mães. E isso, ao menos isso, ninguém pode nos tirar.

Segue um texto que li na escola, há muito tempo, e que até hoje ecoa dentro de mim. Certas coisas não mudam nunca!

Feliz dias das mães para vocês...

MÃE NÃO FAZ NADA...
Itália P. Souza

Era uma vez uma mulher que perdeu seu nome de batismo ou melhor trocou-o por outro muito usado: o de mãe. Sendo mãe tornou-se uma pessoa essencialmente chata.

A maior cobradora da paróquia.

- Faça isso; faça aquilo...

O relógio toca. Começa a batalha.

- Vamos acordar, pessoal!!!

Corre liga a água para o café. O leite também (quando tem)...

- Vamos crianças, vistam o uniforme!

O pai já está no banho.

- Rápido. Tem aula.

Côa o café. Serve a mesa.

- Vamos pessoal. Olhe a hora. Coma o pão. Escovem os dentes.

Pronto. O marido foi para o trabalho e as crianças para a escola.

Trocou de roupa. Tirou a mesa, limpou a mesa do café.

Arrumou as camas. Varreu a casa. Retirou o pó dos móveis. Vai ao verdureiro.

Feitas as compras corre ao açougue, aproveita a saída e passa pelo banco, paga as contas de água e luz.

Volta correndo. Faz o almoço. Olha o relógio. Está na hora do marido e das crianças chegarem...

Chegaram. Serve o almoço.

- Menino não belisque sua irmã!

O pai pede que lave o macacão. Conta que hoje o trabalho melhorou um pouco, mas é para cuidar das despesas. Breve repouso e volta ao serviço.

A mãe lava a louça do almoço. A filha seca os pratos e o filho os talheres, ele se manda para o quintal.

O cachorro aparece com os pêlos da cauda bem aparados.

- Esse menino! Foi por isso que ele pegou a tesoura...

- Crianças, façam a lição.

Sim. Claro, arranjar figuras para a tarefa de geografia.

Costurar a barra da calça do menino. Pregar o botão da blusa da menina.

- Mãe, amanhã é aniversário da professora. Tenho que levar um bolo.

Pronto. O bolo está no forno. Enquanto assa, lava o macacão.

- Vamos ao dentista.

Cuidado ao atravessar a rua.

Passam na panificadora. Voltam para casa.

- Tomem banho!

Providenciar o jantar.

- Não gosta de ovo? Tem que comer. Faz bem para a saúde.

- Fiquem quietos. Deixem o papai assistir o noticiário sossegado. Ele está cansado. Trabalhou o dia todo.

- Vão para o banho! Já arrumaram o material para a aula de amanhã? Mas que turma! Desde que chegamos do dentista estou dizendo para irem para o banho.

Todos deitados.

Verificação total da casa.

Deixar a mesa arrumada para o café matinal.

- Ora veja! O menino esqueceu de guardar o caderno.

Abriu-o, deu uma olhada na lição. Ele preencheu uma folha com dados pessoais: nome completo, data de nascimento, local e também dados familiares.

Profissão do pai: mecânico.

Profissão da mãe: não faz nada, só fica em casa.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Então está decidido

Amamentar é maravilhoso.
A amamentação é importantíssima par a saúde física e emocional da criança e deve ser, na medida do possível, prolongada até dois anos ou mais.
Apesar do começo ser doloroso, depois do primeiro mês passam as dificuldades e fica o prazer, puro e inenarrável de alimentar um ser com leite e amor, vendo-o crescer forte e saudável por causa disso.
Amamentar não me faz melhor que qualquer mãe que não o possa fazer, mas me dá a chance de dar algo a meu filho que só poderei dar agora, mas que lhe beneficiará pelo resto da vida.
A amamentação, estudos científicos indicam, ajuda a tornar as crianças mais saudáveis, mais inteligentes, coopera para o desenvolvimento da fala, da mastigação e de um ser mais seguro e feliz.

Mas qual a hora de parar?
Acredite, você vai saber.

Estou começando o desmame de Rafael.
Se tudo der certo, ele será gradual e bem sucedido como o de Vinícius, que desmamou naturalmente com 1 anos e 2 meses. Um fator preocupante é que Rafael não aceita nehum outro consolo: não usa nem chupeta, nem mamadeira, nem paninho, nem objeto transicional como Vinícius usava, e isso foi decisão dele. O começo vai ser difícil e eu não quero transformar isso numa batalha, mas tenho que ser firme. Pois chegou o momento em que sinto que não consigo mais. Quero dormir uma noite toda novamente, e isso é algo que meu corpo e mente estão clamando. Acho que ele só terá a ganhar com uma mãe mais relaxada e feliz, sem lapsos de memória, sem "pescar" o dia inteiro, sem ficar impaciente e irritada pela falta constante de sono, sem crises de sonambulismo, sem sintomas de estafa mental, com a libido em dia, enfim...
Amo amamentar.
Mas sinto que já cumpri minha missão.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Como anda a rotina?

Bem, não há rotina.
Pra ser bemsincera, meu sonho é uma rotina.
Hora pra tomar café, pra ver TV, para ler ou namorar... hoje aqui em casa tudo é feito "quando dá". Rotina? Um luxo! Fico fula quando vejo gente falando mal da minha tão sonhada rotina, hehehhe.

O negócio tá de um jeito que ontem, 1h30 da madruga, eu terminando um trabalho do mestrado, de repente me dou conta que o estômago está doendo. A princípio parece só um incômodo, mas com o tempo começa a doer mesmo, forte. Divagando sobre o que poderia ter causado aquela dor me dou conta: "Ah, eu não jantei", e vou à geladeira para meu jantar-café-da-manhã.

Oh, por Deus, filhas dos homens, não caiam na conversa que eu caí, de ter logo dois filhos junto, sem muita diferença de idade entre eles, porque os dois crescem juntos e o tabalho é um só. ESPARRELA!!

O trabalho não acaba nunca, só muda de face. E enquanto eles são pequenos (bote aí uns cinco anos), ter dois filhos de idade aproximada é ter trabalho quadruplicado.

Enquanto o sonho da rotina me parece algo distante eu me conforme em ir sonhando chegar com alguma integridade mental e física aos 40 anos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Estimulando meus filhos

Acabei criando outro blog só para tratar do assunto. Ainda pretendo vir aqui atualizar, mas a prioridade agora é compartilhar minhas experiências de educação e estimulação precoce em minhas "cobaizazinhas" com outras mamães.

http://estimulandomeusfilhos.blogspot.com

Beijos e até mais.

Falhas

Para acabar com o clima deprê por aqui, listo abaixo quatro links para eu e outras mães perfecionistas visitarmos quando estivermos nos sentindo "as piores mães do mundo".

Pois é, se você digitar "parentimg fails" no google imagens verá que você, DEFINITIVAMENTE, não é a pior mãe do mundo.

http://listrocker.com/?p=1716

http://www.gedzo.com/2011/01/parenting-fail/

http://artsyspot.com/the-worst-parenting-fails-ever/

http://png.lt/pics/3296-parenting-fails-40-photo.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Para Viviane, e quem mais discorde de mim aqui

Eu ia responder o comentário da Viviane nos próprios comentários do topico "Ouça o que eu digo, não ouça ninguém", mas resolvi fazer um post a parte para que fique já como resposta para futuras discordâncias a respeito do que escrevo ou escrevi aqui.

Primeiramente, Viviane, acho má educação da sua parte vir até um blog pessoal, o que significa que é meu e nele escrevo o que eu quiser, pra me chamar de mentirosa. Eu não estou aqui para dar conselhos a ninguém, prova é o título do post que você contestou: se discordar, simplesmente me ignore, ou seja, "não ouça ninguém", faça o que lhe der na telha. Mas este espaço é meu, e eu escrevo o que quiser mesmo, esteja você incomodada ou não.

Segundo, o tal Muricalm, que você defendeu, é um medicamento que atua também sobre o sistema nervoso da criança, e isso não foi algo que li na internet, foi alerta de não só um, mas vários pediatras. Se uma criança não consegue dormir há algum motivo, nem que seja o simples fato dela estar se desenvolvendo muito bem, e querer prestar atenção ao mundo ao invés de dormir. Do mesmo jeito que você não gostaria de ser dopada contra a sua vontade, é maldade - no mínimo - dopar um bebê para ele dormir. Quando se trata de dar uma substância que pode causar efeitos sobre o sistema nervoso dele, aí não é sómaldade, é irreposnsabilidade.

Quem quer dar, dê. Se é uma coisa que aprendi, é que cada mãe sabe o que é melhor pra seu bebê, e é sobre isso que falei do dito cujo tópico. Mas eu não dou, e caso alguém pergunte minha opinião, eu aconselho a não dar. Neste caso em particular, o post não é um conselho, mas é um relato de minha experiência, que pode ou não servir a alguém, mas se não servir, simplesmente descarte ao invés de sair xingando.

E a quem interessar possa, informe-se como médico do seu filho sobre uso de medicamentos antes de administrá-los irresponsável e inconsequentemente. Pode ser que seu bebê não "tenha nada", como alegam muitas mães que dão o remédio. Mas pode ser que ocorram coisas bem desagradáveis, não por uma noite apenas, mas coisas que o prejudiquem por muito tempo. Apenas informe-se com um médico e não vá pela cabeça de ninguém (isso mesmo que eu já tinha dito no tópico). Há muitas formas de solucionar noites mal dormidas por causa do bebê, mas essa é provavelmente a pior delas.

Ah... sobre a bula, nenhum remédio que queira vender colocaria "este medicamente pode levar seu bebê a morte", por isso mesmo a referida bula diz com linguagem muito técnica que "podem ocorrer efeitos anticolinérgicos, como boca seca, midríase ou taquicardia". Traduzindo para você,Viviane, "As drogas anticolinérgicas são capazes de produzir muitos efeitos periféricos além dos provocados no sistema nervoso central. Assim, as pupilas ficam muito dilatadas, a boca seca e o coração pode disparar. Os intestinos ficam paralisados – tanto que eles são usados medicamente como antidiarréicos – e a bexiga fica “preguiçosa” ou há retenção de urina. Os anticolinérgicos podem produzir, em doses elevadas, grande elevação da temperatura, que chega às vezes até 40 ou 41ºC. A temperatura elevada pode provocar convulsões (“ataques”) e são bastante perigosas. Também existem pessoas que descrevem ter “engolido a língua” e quase se sufocarem por causa disso. Ainda, em casos de dosagens elevadas, o número de batimentos do coração sobe exageradamente, podendo ultrapassar 150 batimentos por minuto", lembrando que, na automedicação, a mãe raramente sabe quanto uma gota a mais pode significar uma superdose para o bebê. Se isso não lhe parece assutador ocorrendo com um bebê - o seu bebê -, tudo bem, a mim parece.

Passar bem, e vá xingar noutra freguesia.

ps.: próxima dessa, eu boto moderação nos comentários que eu tenho mais o que fazer. Posso me dar ao luxo de tomar medidas autoritárias com gente de opinião autoritária.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Cadela

Tenho uma cadela chamada Noite, e ela deu cria apenas uma vez. Foram seis cachorrinhos. Ela é pequena mas cruzou com um vira-lata grande, e os filhotes eram grandes também, quase que ela não conseguia os parir, tive que ajudar tirando eu mesma um por um, pois ela já não tinha forças para expulsá-los. Logo que nasceram eles grudaram nela para mamar. E como mamavam! Mamavam o tempo todo, e aquilo a exauria: quando conseguia se levantar ela corria para sua tigelinha e comia vorazmente tudo que estivesse ali. Comia quilos e quilos de ração importada, que a veterinária recomendou para que ela não tivesse deficiência de vitaminas, mas ainda assim todo pêlo de Noite caiu, ela ficou horrorosa, tão feia que compramos roupinhas para passear com ela na rua, porque ela parecia uma cadela sarneta e magricela, toda flácida e malamanhada.

Lembro como eu sentia dó da minha cadelinha. Era verão, fazia muito calor, e às vezes eu ligava o ventilador pra ela enquanto ela amamentava aquela turminha faminta, ou dava gelo pra ela lamber. Algumas vezes ela se sentia tão incomodada que levantava querendo fugir, querendo ir pra longe, mas quando eu ouvia a reclamação dos filhotes, pegava a cadelinha e a levava até lá novamente, obrigando-a a deitar para amamentar. Era visível sua angústia. Ela gemia e me olhava como quem pede socorro. Eu percebia que ela gostava e cuidava dos cachorros, o problema é que simplesmente ela não estava mais aguentando ser mãe.

Quando os filhotes fizeram um mês nós doamos todos. Noite nunca mais engravidou.

Pois é, tem dias que me sinto uma cadela.

A diferença é que uma cadela levanta e foge. E eu como um chocolate e permaneço (há três anos) no mesmo lugar. Sim, eles são lindos. Sim, estão crescendo felizes, saudáveis, inteligentes. Mas tem dias que eu me sinto como Noite, deitada num ninho de angústia, feia e flácida, perdendo os cabelos (literalmente), exausta, faminta... infeliz. Ningém costuma falar sobre esse lado sombrio da maternidade. Mas ele existe e esmaga. Meu consolo é saber que há um fim, pois nessa situação achamos que ficaremos assim para o resto da vida. Mas a vida pasa rápido demais. E quando menosse espera, as sombras passaram. Quando você rever as fotografias desse tempo, nem lembrará dessa tristeza que agora faz querer morrer.


Noite, cansada mas lambendo a cria.