Esse é um daqueles tópicos que ninguém te fala antes de você decidir ser mãe. Bebês ideais, do tipo que a gente pensa quando ainda é solteira, são tão lindos e fofos que a gente nem imagina que eles fazem cocô. Mesmo depois que decidimos ser mães e engravidamos, apesar de desconfiar que teremos de lidar com algumas fraldas sujas, os comerciais de fraldas na TV passam uma atmosfera de alegria, limpeza, felicidade, com mães sorridentes e bebês que quase dá pra gente sentir o perfume. Ninguém mostra uma mãe cheia de olheiras tendo que acordar no meio da noite e sair tateando em busca de um lenço umidecido - ou pior, algodão e água morna! Há! Eu tb caí nessa -, ninguém mostra uma pobre mãe tendo que parar seu almoço porque um bebê de andar suspeito pára na sua frente, lhe encara nos olhos e diz: "Totô!"
E aí, depois que você descobre a verdade sobre fraldas e cocôs, descobre também que familiares e amigos são grandes especialistas no assunto (porque não lhe disseram isso antes?), cada um com seu pitaco dito com ares de verdade científica, do alto de uma sabedoria que deixa você mais rasa que o chão. Comigo começou com minha mãe contando lindas histórias de como começou a nos desfraldar - eu e minhas duas irmãs - aos 4 meses de idade. Sim, cara leitora, é isso mesmo que você leu. Lembre-se que na época da minha pobre maezinha não havia fraldas descartáveis nessa oferta e preço diversos de hoje. Era fralda de pano, que depois de suja se juntava num baldinhocom água e sabão em pó pra o cocô não endurecer, e no outro dia, passava-se a manhã inteira lavando e pendurando bandeirolas no varal. Por isso ela comprou um super piniquinho com assento, encosto e um pauzinho passando entre os braços do trono, que "prendia" o bebê bem seguro ali. Aos quatro meses, logo que ficávamos mais durinhas, ela sentava a gente ali e deixava algum tempo para a ação da gravidade começar a fazer efeito. À medida que crescíamos ela deixava masi e mais tempo, e segundo ela, todas nós, por volta de 1 ano, assim que aprendíamos a andar, já íamos sozinhas até o penico, abríamos a tampa, descarregávamos a mercadoria lá, fechávamos a tampa e saíamos felizes e serelepes. Ela disse que às vezes só ía ver o que tínhamos feito - xixi ou cocô, horas depois, quando senti um aroma diferente no ar.
Depois de ouvir histórias como essas, eu achei que tudo seria muito fácil!Em um ano eu estaria livre de fraldas, creminhos, lenços garrafas térmicas e o escambau. Ha, ha! Aos seis meses meu filho mais velho ganhou um troninho de presente - da avó. Troninho lindo, da turma da mônica, escolhido entre muitos por ser o modelo mais próximo daquele super penico com que a vovó nos desfraldou. Sempre que eu tentava sentar Vinícius ali, a partir dos seis meses, era um festival de choro e ranger de dentes. Ele não gostava mesmo, e fazia questão de deixar isso claro. Tentei, tentei, mas o máximo que consegui foi fazê-lo colocar ali meio cocô (a outra metade ficou pelo chão), certo dia que percebi que a coisa ía saí e corri desesperada pela casa, arrancando a fralda dele e jogando pra cima, até chegar ao bendito troninho. Foi o suficiente pra eu perceber que essa estratégia não iria dar certo. Resolvi dar um tempo. Li, pesquisei, e vi que há (como em tudo na pediatria) diferentes linahs de pensamento. Os extremos: uam estimula a fazer o desfralde precoce, desde o nascimento, ensinando o bebê a demosntrar através de sons que está com vontade de fazer suas necessidades, e assim avisando a mãe para sentá-lo no penico. Dá certo! Uma amiga fez! Mas outra linha de pediatria diz que o desfralde precoce pode gerar problemas futuros, pois a criança pode ficar confusa e voltar, bem mais tarde, a perder o controle dos esfíncteres (tradução: fazer xixi e cocô nas calças), o que obrigaria a um novo desfralde mais complicado. Falam também da possibilidade da criança desenvolver prisão de ventre e uma personalidade obsessiva por controle. Como disse, são opiniões, os dois lados dão suas justificativas. Pelo sim pelo não, resolvi esperar. Principalmente porque já me sentia casada demais com as tarefas normais da maternidade e não queria adicionar-me mais uma responsabilidade naquele momento.
Perto de um ano, voltei a tentar. Nada. Um ano e meio? Nem pensar. Dois anos tá bom,né? Necas. Comprei pinicos diferentes. Um em forma de carrinho. Outro redondo, tradicional. Tentei redutor sanitário. Vinícius continuava irredutível. A essa altura minha mãe - e mais um séquito de sábios pela família, ruas, restaurantes e qualquer outro lugar de convívio social - já questionava minhas habilidades como mãe (soa familiar?), contando histórias de meninos de dez anos que usavam fraldas geriátricas porque a mãe não desfraldou no tempo certo. É assim: para cada fase da maternidade há uma história de terror para ser contada para as mães, bem terríveis mesmo, a ponto de fazê-las sentir muito culpadas, ansiosas, fracassadas e infelizes. É cultural passar essas histórias adiante, e mesmo as mães que sofreram com elas, se sentem na obrigação de continuar a corrente do mal. Eu não aguentava mais essas histórias, os pitacos, as receitas, os absurdos que tive que ouvir. Certa sábia me orientou a fazer como ela fez ao dela: "Ele estava resistindo tanto que prendia o cocô e passava dias sem fazer. Um dia eu dei uma surra nele, tranquei ele no banheiro e disse: vocêsó sai daí quando fizer! Foi um santo remédio! Depois de um hora batendo na porta e chorando ele fez tudinhono vaso e nunca mais se recusou a fazer.", terminou, orgulhosa. A que ponto chegam as pessoas para resolverem os seus problemas, não?
Analisemos. O desfralde, nesse caso horrendo e em tantos outros, é encarado como um problema:
1 - Da mãe - que não aguenta mais perder tempo limpando bumbum.
2 - Financeiro - o pai reclama dos gastos com fraldas e acessórios de limpeza.
3 - Social - a necessidade de exibir um filho maduro e independente para as pessoas elogiarem suas habilidades maternas.
Mas se não formos tão egóistas veremos que o desfralde é, primeiramente, um problema DO BEBÊ. Então, reordenando, o desfralde deve ser encarado como um problema:
1 - Do bebê
2 - Do bebê
3 - Do bebê
4 - O resto.
Isso significa que todo o processo deve ser focado na criança, nas suas demonstrações de que a hora chegou (VEJA AQUI ALGUNS SINAIS), e não na pressão social, financeira e pessoal. Também deve-se compreender que o tempo de cada criança é único para qualquer aprendizado, inclusive para o desfralde. Seu filho não tem que ser igual a ao filho de fulaninha nenhuma. Nem é menos inteligente ou desenvolvido porque é o último dos amiguinhos a desfraldar. Lembre que além do aprendizado cognitivo, aquele em que a criança entende o que está acontecendo, há os limites biológicos, o amadurecimento de órgãos que dependem do cérebro da criança e não necessariamente de sua vontade, muito menos da vontade alheia.
Depois que compreendi isso, resolvi prestar mais atenção no meu filho e menos nas pessoas ao meu redor (inclusive nos bebezinhos dos outros). Lembre-se que muitas coisas que para n´so parecem óbvias, para eles são um grande desafio pois nunca passaram por isso antes. Imagine: seu bebê nasceu e no minuto seguinte já estava de fraldas. Cresceu como se aquilo fosse parte do corpo dele. Entendeu que podia produzir cocô, sentir prazer segurando o cocô, e achou muito legal a possibilidade de fazer algo por ele mesmo, saído dele, que lhe pertence e sobre o qual pode ter um poder que os pais não têm, por que teria de jogar a obra-prima fora? (Esse argumento é sério! FREUD REALMENTE EXPLICA). Alguns bebês, acham o seu cocô algo tão fantástico e legal que às vezes pegam-no e dão de presente para a mãe como se estivessem dando a rosa mais linda do jardim que cultivaram. Os meus passaram pela fase apreciação do cocô, tirando-o de dentro da fralda para compor obras de arte nas paredes, lençóis e... (Custo confessar!) no rosto. Fora isso tem também o medo da privada. Sentar num buraco, para quem não está acostumado, pode ser uma sensação muito desagradável de instabilidade e insegurança. Muito orientais nem usam esse nosso sistema sanitário por considerá-lo pouco higiênico e contrário às leis naturais, preferindo utilizar privadas onde se fica de cócoras. Por que seu bebê tem que achar tudo lindo e normal? Não bastasse, ainda é comprovado que meninos demoram mais a desfraldar que meninas.

Pa-ci-ên-cia é a regra de ouro aqui. O processo pode ser até rápido, mas não espere por isso. Pode até parecer fácil, mas na mente da criança é um processo bem complexo. E qualquer trauma aqui pode repercutir por toda a vida."Onde ocorreu a fixação anal (neurose anal) , mesmo que as próprias fezes não possam ser acumuladas indefinidamente, o indivíduo acumulará o que de valor puder adquirir, entesourando, sem contudo atingir o seu uso apropriado. Vejamos alguns casos de neurose anal: o caso do avaro que junta dinheiro, o colecionador que compra quadros valiosos, e não os exibe, e nem mesmo os olha; dos indivíduos obsessivos, que insistem longo tempo e improdutivamente em tarefas não completadas; pontualidade exagerada; tendência ao uso de roupa íntima suja; sede de poder; prazer na descarga de uma linguagem chula.
As crianças que foram obrigadas a defecar por meio de ordens, quando adultas apresentam acentuada tendência a terem seus problemas solucionados por outras e tendem a realização de várias atividades simultaneamente." (FONTE)
O PROCESSO
Depois que Vinícius começou a dar alguns sinais do desfralde, por volta de 2 anos e meio, resolvemos tentar mais uma vez. É aquilo mesmo que você já leu por aí: comprar muitas cuecas, deixar um balde com detergente a postos porque é muito xixi pela casa, elogiar bastante quando ele conseguir avisar a tempo.
Ele ainda se recusava a sentar no vaso quanto tinha vontade. Como já estava grandinho, não queria mais penico nem redutor, queria fazer como "gente grande". Até fazia o xixi, mas o cocô, de jeito nenhum. Temos um filminho que fizemos nessa época registrando toda a angúsita dele. Obviamente é para arquivo pessoal, mas revendo dá pra ver como aquilo angustiava ele. Ele começava a andar pela casa toda, às vezes, andava em círculos, e quando estava com um tensão muito grande, chorava e sentava no chão, se recusando a ir para o vaso. Tentavamos conversar, ajudar, argumentar, mas nada adiantava. Ele pedia a fralda para fazer nela. E quando começamos a recusar fazer isso, ele prendia o cocô por dias e dias, o que tornava tudo muito pior.
A esta altura eu estava grávida de oito meses de gestação, e já me imaginava tendo que trocar fraldas duplamente. Um dia lembrei de um kit que tinha recebido como brinde da Pampers. Eram duas fraldas "de treinamento", com elástico ao lado, portanto pode ser retirada e colocada pela própria criança, e com uma cartela de adesivos. Resolvi ler as instruções e utilizar aquele recursos pois afinal nãore stava masi muitas alternativas. A fralda é assim: tem estrelinhas na frente, e cada vez que a criança faz xixi uma estrelinha some... o jogo é tentar fazer as estrelinhas não sumirem. Achei legalzinho, mas ainda preferi encarar a cueca com bichinho desenhado na frente "O leão não quer ficar molhado!". O que nossalvou mesmo foi a cartela de adesivos. Eram adesivos do Diego Aventureiro: eu comprei DVDs do desenho para estimulá-lo a se envolver com a brincadeira. Cada vez que ele fizesse cocô, colaria um adesivo do Diego na cartela que ficava ao lado do vaso (tinha cerca de 30 quadradinhos). Parece uma idéia boba mas deu SUPER CERTO. Ele ainda relutou um pouco no início, mas depois se empolgou em querer colar os adesivos. E antes que terminasse a cartela, ele já estava desfraldado por completo. A coisa deu tão certo que mesmo depois que ele desfraldou eu continuei utilizando or esucrso dos adesivos com incentivo para ele juntar os brinquedos, tomar banho, não fazer birra na hora de comer, etc.
O bom é que, depois que comecei com os adesivos foi só uma ou duas semanas para Vinícius desfraldar. Ele já estava preparado, só faltava encontrar o melhor método. Isso aconteceu quando ele tinha 2 anos e 7 meses. Antes do irmaizinho nascer. Ainda teve quem me dissesse que ele voltaria a fazer tudo depois que o irmão chegasse em casa. Nada disso. Ele ainda fez duas ou três vezes xixi e duas vezes cocô, mas porque ficou doente. Depois disso, nunca mais, aleuluia, amém.
SEGUNDA VIAGEM
Agora me chega Rafael, com 1 ano e 6 meses e começa a dar sinais de desfralde. Como o primeiro demorou muito, eu nem estava esperando. Nem tentei colocá-lo em pinico, nem tentei pôr cuecas, resolvi simplesmente esperar desta vez. Mas ele me surpreendeu: começou tirando as fraldas, por ele mesmo, como se estivesse incomodado, mesmo quando elas estavam limpas. Depois começou a demonstrar bastante incômodo quando elas estava sujas, e passou a avisar depois que faz cocô (algumas vezes o xixi também). Não bastasse, começou a pedir para sentar no vaso como o irmão, e quer que eu o limpe com a ducha higiênica, como faço com Vinícius.
Ainda estou achando muito cedo, talvez pela experiência anterior, mas também não quero ignorar os sinais dele. Então estou prestes a começar tudo de novo: cuecas, baldes, panos, detergente. Mas quero começar pra valer só no próximo ano, porque neste final de ano viajamos muito e isso complica bastante o processo. Depois que começamso é fundamental ir em frente, não ficar "dando pausas", pois isso pode deixar a criança confusa e piorar o processo. Por enquanto estou incentivando ele a sentar no redutor sanitário (gostei muito da experiência de não ter que lavar penicos), pois ele também tinha medo a princípio, e agora, mesmo indo, ainda fica pouco tempo e desconfiado. Brinco com ele de fazer xixi no vaso, mas ele nunca faz de verdade, só faz o barulhinho (xxiiiiiii) e depois pede para sair. Mostro como o irmão faz (com irmão parece que tudo fica mais fácil, posi é natural a criança masi nova querer imitar a mais velha em tudo). Quando faz cocô nas fraldas eu jogo dentro do vaso para mostrar que lá é o lugar. Ou seja, por enquanto estamos só na educação cognitiva. Vou também comprar uns dois livrinhos sobre o assunto pra ler com ele. Veja alguns títulos:
Cocô no Trono (Charlat, Benoit)
Para aqueles que estão tentando trocar a fralda pelo trono, para os pais solidários e para os todos os interessados no assunto, um livro-brinquedo, em formato grande, com páginas reforçadas, bem coloridas e com um botão que, quando acionado, detona a maravilhosa descarga.
O que Tem Dentro da Sua Fralda? (Genechten, Guido Van)
Ratinho é muito curioso. Ele gosta de descobrir como tudo é por dentro. Nada escapa de Ratinho, nem mesmo as fraldas de seus amigos. Coelho, Cabrita, Cachorrinho, Bezerro, Potrinho e Porquinho, todos mostram suas fraldas. Então, claro, eles também querem ver a fralda de Ratinho. Uma grande surpresa os espera. Um divertido livro com abas sobre a grande curiosidade de um pequeno rato e sobre a passagem para o penico…
A Incrível Fábrica de Cocô, Xixi e Pum (Mesquita, Fátima)
Como é que aquela deliciosa pizza e aquela limonada geladinha que você saboreou com tanto prazer se transformam em…eca!…cocô e xixi? Você vai entrar agora na “A Incrível Fábrica de Cocô, Xixi e Pum” para descobrir como tudo isso é produzido dentro do seu corpo. Conheça os “trabalhadores” que estão aí dentro separando do alimento tudo o que dá energia para fazer você correr, pentear o cabelo, jogar videogame e dar sustos nos outros. Já o resto da comida… bem, sobre isso é melhor você ler o livro para saber.
Que Cheiro É Esse? – o Livro do Cocô (Goldsack, Gaby)
Um livro magnífico, com ilustrações engraçadas, que traz uma interessante perspectiva sobre um tema natural, mas cheio de preconceitos: o COCÔ! De forma simpática e sem rodeios, as crianças aprenderão sobre esta importante necessidade de todos os animais.
(FONTE)
Desejo a todas que estão passando por esse processo, muita calma e a percepção de que poder ensinar essa etapa ao seu filho é um grande privilégio e uma fonte de alegrias conjuntas.
Em breve venho contar as novidades...
